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Faraco

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O presidente isolado no Figueirense

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Por Faraco
14/05/2019 - 08h15 - Atualizada em: 14/05/2019 - 08h11
Honigman e o Figueirense. Foto: Cristiano Estrela/DC
Honigman e o Figueirense. Foto: Cristiano Estrela/DC

Cláudio Honigman apareceu para falar, mas não para responder perguntas. Sozinho. Não estavam com ele seus pares de administração, nem mesmo algum conselheiro do clube.

A cena ficou clara e pareceu constrangedora para o presidente. Quando afirmava mais uma vez ter o apoio total do conselho deliberativo, isso parecia ser somente discurso. Se realmente tivesse, o conselho estaria ao seu lado no pronunciamento e nessa hora de pressão. Ao mesmo tempo, a sua diretoria se mostrou distante, isolando o mandatário.

Como escrevi, depois da saída de Fernandes, Honigman tinha que vir com algo muito forte, em termos de ações e novidades, para dar uma resposta contundente às pressões e aos questionamentos que ocorreram na última semana. Não foi o que se viu. Era um presidente isolado, assustado e sem fatos para apresentar que respaldem e segurem a sua administração.

Argumentos apresentados

O que Cláudio Honigman tem a seu favor é o fato de ter pago salários em dia nesta temporada de 2019. Mesmo que seja uma obrigação mínima de qualquer empregador, é algo que pode ser ressaltado por causa do passado recente do Figueirense.

Só que ao mesmo tempo, concorre contra esse argumento o fato de que alguns profissionais saíram ou foram demitidos neste período e reclamam não ter recebido o que era devido.

Responsabilidades

Outro argumento trouxe à tona administrações passadas do Figueirense. Citou questões verdadeiras, que se referem à dívida construída desde 2010 no clube. É verdade. O Figueirense teve um acúmulo e um aumento exponencial de suas dívidas neste período, passando por todas as administrações. Acontece que esse contrato foi firmado em 2017, já com uma dívida consolidada e que passaria a ser responsabilidade da empresa administrar. Ou seja, não acabe a ele agora jogar as responsabilidades no passado – por mais que seja verdade.

A empresa foi contratada em 2017 pelo Figueirense para administrar e equacionar essas dívidas. O que ocorreu foi justamente o contrário. O clube acumulou ainda mais dívidas neste período de quase dois anos.

Ato trabalhista ainda não está firmado

O presidente usou a acordo com a Justiça do Trabalho como argumento de que está colocando a casa em ordem. O Ato Trabalhista é uma organização das dívidas trabalhista do clube em acordo firmado com a Justiça do Trabalho.

Conversei durante a tarde de ontem com o juiz do Trabalho Marcel Luciano dos Santos, que é o juiz que cuida do acordo do Figueirense, e ele me afirmou que o processo realmente existe, mas ainda está em curso. Segundo o juiz houve uma audiência na última semana e uma nova assembleia com os credores está marcada para junho. Ou seja, ainda não existe o Ato Trabalhista firmado.

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