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    "Odeio centralização de poder", diz prefeito eleito de Joinville Adriano Silva

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    Loetz
    Por Loetz
    12/12/2020 - 12h25 - Atualizada em: 12/12/2020 - 12h34
    foto mostra o prefeito eleito adriano silva
    O prefeito eleito conversou com o colunista Claudio Loetz sobre os projetos para o desenvolvimento econômico de Joinville (Foto: Arquivo Pessoal)

    Adriano Silva, prefeito eleito de Joinville, vai criar comitê de desburocratização já no início de seu mandato. Em entrevista exclusiva à coluna, explica prioridades, anuncia que fará parcerias-público-privadas, fala da transição e explica o papel que a vice-prefeita, Rejane Gambin, terá no governo, que começará em 1 de janeiro.

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    A seguir, os principais trechos da entrevista feita na terça-feira, dia 8.

    Vocês, do NOVO, receberam mais de 8.500 currículos de candidatos para ocupar 163 cargos de secretário, diretor executivo e gerente na prefeitura de Joinville. É mais do que as grandes empresas recebem, normalmente. A que atribui esse grande número de interessados em trabalhar na prefeitura?

    Adriano Silva - Não faço ideia. (rs). Não esperávamos tantas inscrições. Estamos surpresos, até aumentamos o número de pessoas voluntárias para analisar todos os curriculuns. Estamos encontrando muitos curriculuns bons, de grande qualidade. Tanto de servidores públicos municipais, como de pessoal de fora. Essa mescla de gente de carreira com profissionais externos é positiva. Na última fase da seleção, uma empresa de RH vai nos auxiliar a escolher. A última etapa será a de análise de perfil de liderança.

    É um perfil técnico, claro.

    Adriano - Sim, queremos ter perfil técnico, mas com habilidades de conversar, ter diálogo, abertura para ouvir. Quero secretários com bastante autonomia. Meu perfil de liderança é o de dar espaços para as pessoas. Odeio a centralização de poder.

    Já tem nomes para secretarias?

    Adriano - Ainda não. Estamos olhando a análise de curriculuns e identificar compatibilidade entre atributos dos candidatos com as exigências dos cargos pretendidos. Há muitos casos em que há discrepâncias. Também temos de saber o que eles, os candidatos, pensam sobre liberalismo e se entendem, se conhecem o nosso plano de governo. Ao final do processo, três nomes vão para a seleção. A decisão final será minha e da Rejane, a vice-prefeita. É possível que no fim da próxima semana já tenhamos alguns nomes.

    O senhor já disse, na campanha, que a primeira ação será para desburocratizar a prefeitura. Já sabe o texto desse decreto?

    Adriano - Ainda não. Vamos criar um comitê de desburocratização, diretamente ligado ao gabinete do prefeito. E que vai funcionar, pelo menos, pelos primeiros 180 dias de mandato. Esse grupo de técnicos será pinçado nas diferentes secretarias e áreas, e, depois, o comitê será desmontado. Especificamente na Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente (SAMA) faremos força-tarefa para dar celeridade aos processos de licenciamento.

    Na prática, o que vai ser feito para desburocratizar?

    Adriano - Reduzir a burocracia é essencial. Vamos criar a Casa do Empreendedor para dar a ele, o empreendedor, um tapete vermelho. Não se deve falar em benefícios fiscais porque a prefeitura não tem receita para isso. O caso de lentidão mais conhecido é o da Havan. Mas, em nossas andanças pela cidade, recebemos queixas de empresários de pequenos negócios, nos bairros, que têm dificuldades.

    Que setores da economia vai dar mais atenção?

    Adriano - O turismo é um deles. O outro é o da inovação, o das startups, que o atual governo já iniciou. O distrito criativo, na região central, para atrair jovens e que possam construir negócios aqui, e não procurem fora de Joinville, é outro exemplo.

    No turismo, o que está mapeado?

    Adriano - Queremos criar os clusters do turismo rural e da dança. Estimular os joinvilenses e turistas a conhecer e frequentar a nossa área rural. No cluster da dança, criar a quadra da dança, junto ao Bolshoi. Também vamos fazer parcerias-público-privadas e criar a quadra cultural, compreendendo a Cidadela Antarctica, o Museu de Arte de Joinville, o cemitério dos imigrantes e o Instituto Juarez Machado, um pouco abaixo.

    Há outras concessões a serem encaminhadas?

    Adriano - Queremos fazer a concessão do acervo do Museu do Sambaqui e , via PPP, construir outro museu, interativo, moderno localizado ao pé dos sambaquis, no bairro Guanabara. De tal forma, que de lá o visitante possa seguir para o Parque Caieiras e, então, ir ao Espinheiros, num roteiro turístico-cultural-histórico.

    O ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Danilo Conti, liderou um conjunto de ideias para atrair empresas de alguns segmentos da economia, como novos materiais, economia verde, inovação e tecnologia, saúde, entre outros. A intenção era modernizar o antigo programa Pro-Empresa. Conhece essas ideias?

    Adriano - Não, não conheço.

    Quando sentar na cadeira de prefeito de Joinville, em 1º de janeiro, qual vai ser seu maior desafio?

    Adriano - O maior desafio de todo líder é montar sua equipe. Encontrar e colocar a pessoa certa no lugar certo. Então, teremos boas chances de fazer um bom governo.

    Gente importante do atual governo diz que há muitos projetos e recursos bem encaminhados para o próximo prefeito.

    O senhor os conhece?

    Adriano - Não estive na Seinfra ainda. Não tenho a lista dos projetos. Mas tudo o que for coisa boa para a cidade terá sequência. A pavimentação de ruas, por exemplo, vai continuar. Não tenho o ego de mudar só para ter outro nome.

    A mobilidade é um gargalo de desenvolvimento de Joinville.

    Adriano - Claro! Só 10% do que foi planejado nos anos 70 do século passado foi executado. Conversei com o prefeito Udo Dohler e falamos de obras importantes, como as pontes da rua Nacar, da rua Anêmonas, da ponte do Adhemar Garcia, do elevado no eixo industrial Norte. Udo me disse que a verba para a construção da ponte do Adhemar Garcia está garantida, via empréstimo. Com estas obras, teremos um grande ganho.

    O senhor conhece dados sobre endividamento da prefeitura, capacidade de endividamento, contratos, fornecedores?

    Adriano - Ainda não. Nossa equipe de transição está buscando esses dados e vamos ter tudo isso em mãos daqui a duas semanas. O grupo de pessoas da prefeitura que está fazendo a transição está ajudando.

    O que mais preocupa?

    Adriano - O que mais preocupa são duas situações. A do contrato de iluminação pública, que vence; e a dos contratos da obra do rio Mathias. São situações que exigem análise operacional, técnica e jurídica. O Rio Mathias é a maior encrenca, sem dúvida.

    Que papel terá a vice, Rejane Gambin?

    Adriano - Ela vai fazer a comunicação interna e externa do governo, mas não na Secretaria de Comunicação. Fará o contato direto com o servidor público, ver se objetivos e metas estão chegando corretamente na ponta. Depois vai conversar com a sociedade, com as lideranças, para não haver o distanciamento que há hoje. Ela terá livre acesso ao meu gabinete.

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