nsc
nsc

Disputa

Perfis antagônicos vão disputar segundo turno em Joinville

Compartilhe

Loetz
Por Loetz
16/11/2020 - 12h57
Segundo turno das eleições municipais
As votações do segundo turno ocorrem dia 29 de novembro (Foto: NSC Total)

O primeiro turno das eleições para prefeito de Joinville mostrou a força de dois grupos antagônicos e que levaram personagens absolutamente distintos à disputa final. Darci de Matos (PSD) e Adriano Silva (NOVO) chegam ao segundo turno, cada um a seu modo, amparados por elementos próprios. De um lado, um nome tradicional na política joinvilense:

> Quer receber notícias de Joinville e Norte de SC por WhatsApp? Clique aqui e entre no grupo do A Notícia.

Darci é conhecido da população desde os tempos em que coordenou a campanha de Wittich Freitag à prefeitura do mais populoso município catarinense, nos anos 90 do século passado. Desde então foi eleito para variados cargos legislativos - vereador, deputado estadual e deputado federal - e já disputou (e perdeu) eleições para prefeito. A última, para Udo Dohler, em 2016.

Agora, neste ano, sem a onipresença de Luiz Henrique da Silveira, e como não há nenhum líder carismático a galvanizar o interesse da sociedade, ele percebeu que havia um vazio a ser preenchido. Contra ele há o fato dele encarnar a lógica do que se convencionou denominar "velha política", e também tem forte rejeição, segundo pesquisas.

De outro lado, Adriano encarna, literalmente, o novo. E não só por causa do nome do partido. Empresário de sucesso, presidente de companhia tradicional em Joinville e filho de Ney Silva, bastião do antigo MDB local, chega com força para disputa do turno final, em 29 de novembro.

Nome preferido do empresariado, ele transita com muita desenvoltura entre a classe média e a população mais instruída, mas carece de popularidade nas regiões mais periféricas da cidade. Com o apoio entusiástico de vereadores eleitos e de suplentes bem votados, e no embalo da conquista de domingo, vai tentar capturar os votos daqueles que votaram nos demais candidatos derrotados: principalmente daqueles que votaram em Fernando Kreling (MDB);  Ivandro de Souza (Podemos) e Tânia Eberhardt (Cidadania).

> Mapa eleitoral em Joinville: como foi o desempenho de Darci e de Adriano por região da cidade

Claro que não há mais a transferência direta de votos só porque alguma liderança escolheu apoiar alguém. Mas, numa disputa acirrada, como promete ser a de Joinville, não dá para desdenhar apoios - se eles vierem.

Historicamente, MDB e as siglas pelas quais passou Darci são adversárias, e isso já coloca freio natural para essa aproximação. Mais ainda: programaticamente Ivandro tem mais afinidade com Adriano do que com seu opositor.

Vai daí...

No primeiro turno, Adriano superou o noviciado em política e enfrentou o imenso desinteresse coletivo pelas ideias dos candidatos em geral. Como a pandemia do novo Coronavírus dominou, e domina, ainda, a atenção das pessoas, não sobrou espaço para que as propostas de quaisquer candidatos se fixassem nas mentes dos eleitores.

Agora vem a propaganda eleitoral de segundo turno. O tempo de TV e rádio será o mesmo a partir de sexta-feira, igualando a divulgação de mensagens. E nas redes sociais, cada um vai apostar fichas em estratégias próprias.

> Eleições 2020: conheça os prefeitos eleitos nas cidades do Norte de SC

Com pitadas de convicção e esperança, tanto Darci quanto Adriano vão mostrar ideias sobre desburocratizar a máquina pública; facilitar licenciamentos para empreendimentos; pavimentar centenas de quilômetros de ruas; melhorar a mobilidade urbana; criar creches (CEIs); melhorar a saúde nos bairros e cuidar da zeladoria da cidade, com atenção especial à deteriorada região central. Com variações, essas serão as falas comuns dos dois finalistas.

Os dois que vão para o segundo turno representam grupos políticos bem distintos. De um lado, Adriano aparece como novidade jovem, mas com experiência administrativa exitosa na iniciativa privada e oferece o discurso do compromisso de diálogo com as lideranças da sociedade, ouvindo as pessoas. Do outro lado, Darci lidera um time que critica asperamente a atual administração, fala em "projeto de reconstrução" e promete escolher pessoas "com experiência e capacidade técnica". Tenta mostrar que tem ideias factíveis para a cidade, e procura distanciamento do fato de ser um político profissional, e da prática do que se convencionou chamar de "velha política".

Os eleitores terão 13 dias para decidir quem vai gerir Joinville pelos próximos anos. Nesta hora, é importante lembrar que dois  fatores podem decidir o resultado no segundo turno: a taxa de rejeição dos candidatos e a capacidade deles em motivar o joinvilense a votar, em vez de ir para praia. Essa fator - a abstenção - é relevante.

> Abstenção triplica em Joinville e mais de 100 mil deixam de votar

A julgar pelas caras fechadas dos votantes nas seções eleitorais deste domingo, 15, há uma certeza: acabou a alegria e o entusiasmo que campanhas não tecnológicas despertavam. O povo, quando muito, se (des)informa via redes sociais, e apenas cumpre um compromisso. Uma pena, porque esse desinteresse pela política terá efeitos, e poderá trazer consequências pelos próximos quatro anos.

Cláudio Loetz

Colunista

Loetz

Claudio Loetz é um dos mais renomados colunistas de economia do Sul do Brasil. Com textos analíticos e informativos, é a principal fonte de informação para os interessados em negócios em Joinville e região.

siga Loetz

Cláudio Loetz

Colunista

Loetz

Claudio Loetz é um dos mais renomados colunistas de economia do Sul do Brasil. Com textos analíticos e informativos, é a principal fonte de informação para os interessados em negócios em Joinville e região.

siga Loetz

Mais colunistas

    Mais colunistas