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Tupy compra R$ 1,6 bilhão por ano de fornecedores catarinenses

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Loetz
Por Loetz
05/07/2020 - 14h00
Fernando Cestari de Rizzo, CEO da Tupy
Fernando Cestari de Rizzo, CEO da Tupy (Foto: Nilson Bastian, Divulgação)

Mais da metade (52%) dos fornecedores da Tupy são de empresas instaladas em Santa Catarina; a grande maioria formada por pequenos negócios. A multinacional de Joinville desembolsa R$ 1,6 bilhão por ano parra irrigar os cofres destes empreendimentos, que atendem necessidades específicas da companhia.

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Em entrevista à coluna, o CEO da Tupy, Fernando Cestari de Rizzo fala do resultado do primeiro trimestre, da necessidade de todos fazem sacrifícios temporários e se mostra animado com perspectivas de bons negócios e retomada da economia ainda neste ano.

Confira a entrevista:

A Tupy apresentou bons indicadores operacionais no primeiro trimestre deste ano. O que possibilitou isso?

Fernando Rizzo - O mais importante é a companhia ter mostrado claros avanços de eficiência. Isso acontece por consequência de modernas tecnologias e práticas de produção e também porque reorganizamos a empresa; há 18 meses a organização está sendo revigorada. O desempenho é cada vez melhor, com ganhos de produtividade. No Brasil e no México, os resultados de janeiro-março deste ano foram muito bons. Além disso, a carteira de clientes se sofisticou muito; fazemos e vendemos produtos com ligas especiais e serviço de usinagem, o que confere mais valor agregado.

O mercado continua parado por causa da pandemia do Cvid-19 espalhada perlo mundo. Como vê essa situação?

Rizzo - O mercado está parado, de maneira geral, em todos os lugares. Mas a Tupy faz coisas que são essenciais à sociedade. Produzimos peças e itens que atendem ao transporte, à agricultura, por exemplo. Um ponto já anima mais: o consumo do diesel já está chegando ao nível do período pré-crise. Isso quer dizer que o movimento de transporte de cargas está melhorando bem. Sinal de que a recuperação virá.

Há setores que já estão voltando?

Rizzo - Sim. O segmento de comerciais leves, nos Estados Unidos; o segmento de máquinas e equipamentos para caminhões. Aí, um pouco mais lentamente, mas também está voltando.

Como a Tupy enfrenta a crise sob o aspecto financeiro?

Rizzo - A Tupy age protegendo fortemente o caixa. A companhia está atenta ao que é essencial. E o essencial é preservar os talentos e a integridade da companhia para, quando a economia retomar impulso, a partir do terceiro trimestre deste ano, avançar nos negócios ainda mais.

A Tupy, e tantas outras indústrias, adotaram a prática de redução de jornada e de salários, como prevista na Medida Provisória 936. Esta semana foi aprovada a possibilidade das empresas ampliarem por um mês a jornada e salário reduzidos; e por dois meses a suspensão de contratos de trabalho. A companhia vai adotar esse modelo, de novo?

Rizzo - Usamos a MP 936. Não demitimos praticamente ninguém no Brasil. A companhia tem dito que quer cuidar das pessoas; e os trabalhadores estão ajudando também. A companhia faz sacrifícios para manter os profissionais, e eles também fazem sacrifícios.

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O desemprego é, certamente, um grande problema econômico e social. Como enxerga isso na perspectiva dos negócios?

Rizzo - Estimulamos que os pequenos empresários olhem com cuidado o cenário. O desemprego desarranja toda a economia .Melhor que todos façam algum sacrifício agora - via adoção das práticas previstas na MP 936 -para todos ganharem adiante.

Qual é capacidade ociosa da companhia atualmente?

Rizzo - A nossa capacidade ociosa é de 40%, hoje, no total. Projetamos que caia para 25% até o final do ano. Há estímulos importantes concedidos pelos governos dos Estados Unidos, de países europeus - e do governo brasileiro, mas menos. Por exemplo, um trabalho voltado à renovação da frota deveria já ter sido feito aq1ui no Brasil.

A Tupy pensa em comprar concorrentes nesta hora de crise geral, onde alguns têm mais problemas para serem competitivos?

Rizzo - Bem, adquirimos a Teksid, que pertencia à Fiat, ao final do ano passado. É um negócio muito grande, que ainda está sendo absorvido. Somos cautelosos financeiramente. Não vamos tomar riscos inadequados. Claro, sempre estamos atentos a oportunidades.

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A empresa depende de entrega de itens por parte de muitos fornecedores menores. Como está essa relação nestes tempos de pandemia?

Rizzo - Temos dado toda a atenção aos fornecedores. Nossa base é muito fragmentada e 52% do total está em Santa Catarina. São pequenas empresas, às quais nós estamos garantindo volume mínimo de demanda para todos eles. Nosso interesse é manter a cadeia produtiva viva.

Os próximos meses serão melhores?

Rizzo - Os desafios continuarão grandes no próximo trimestre. Importante que a Tupy continua operacionalmente muito saudável. E, à medida em que o volume de vendas crescer, geraremos mais resultado e com o mesmo grupo e sistemas de vendas.

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Cláudio Loetz

Colunista

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Claudio Loetz é um dos mais renomados colunistas de economia do Sul do Brasil. Com textos analíticos e informativos, é a principal fonte de informação para os interessados em negócios em Joinville e região.

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