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Crônica

Eu tenho um sentimento

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Marcos
Por Marcos Piangers
31/12/2021 - 14h04
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Piangers: "Saúde, dinheiro e paz serão votos mais sinceros do que nunca, esse ano" (Foto: Freepik)

Everybody had a hard year, canta John Lennon em I’ve Got a Feeling, e ele não está em 2021 mas em janeiro de 1969. Os ensaios organizados em três partes de duas horas e meia por Peter Jackson está nos fazendo companhia na televisão do apartamento de praia. “Eu tenho um sentimento, um sentimento que eu não consigo esconder”, eles cantam no refrão, enquanto preparamos o almoço ou jogamos baralho na mesa da cozinha. Todo mundo teve um ano difícil, eles dizem. Todo mundo teve bons momentos. Todo mundo viu o sol brilhar.

É possível um ano ser fantástico e, ao mesmo tempo, terrível?

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Durante 2021 vivi momentos mágicos. Meu livro foi adaptado para o cinema, conheci pessoas talentosíssimas, lançamos em um dos maiores festivais do Brasil. Vi minhas duas filhas crescendo lindamente. Exploramos de carro a natureza ao nosso redor: fizemos trilhas, fogueira na praia, tirolesas e passeios na serra, longe do agito, da multidão e das preocupações cotidianas. Voamos de balão, alugamos uma casa no meio do nada, praticamos yoga com vista para a imensidão do mar. Comecei a correr, emagreci 15 quilos, descobri como a alimentação pode me deixar mais disposto e feliz. Passamos dias com bons amigos que não víamos há tempos, vimos o nascer e o pôr do sol, fotos lindas que embelezam nossos rolos de câmera do celular e nossas memórias.

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Mas para cada momento idílico que vivi, uma parte do meu coração sofria melancolicamente. Um pedaço de mim estava doente junto com a minha mãe, que teve o pior ano dela. O câncer se espalhou, o tratamento foi pesado, as dores de cabeça e estômago foram dilacerantes. Fomos juntos em emergências e em hospitais e vi minha mãe sofrendo como nenhuma mãe merece sofrer. Além disso, outros familiares tiveram momentos difíceis. Alguns passaram por separações imaturas e desgastantes. Outros tiveram dificuldades financeiras e de saúde mental. Em alguns momentos, tive a impressão de que todos ao nosso redor precisavam de ajuda. E estávamos fortalecidos, tentando ajudá-los.

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Cutucamos a porta de 2022 com medo do que virá, quando a abrirmos. Saúde, dinheiro e paz serão votos mais sinceros do que nunca, esse ano. O réveillon pode ter suas importâncias, mas não apaga doenças, não resolve desentendimentos, nem paga dívidas. Os problemas continuarão depois do estouro de fogos. Pra eles, precisamos de mais tempo. E de uns aos outros.

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Todo mundo teve um ano difícil. Todo mundo viu o sol brilhar. Pode um ano ser maravilhoso e sofrido ao mesmo tempo?

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Marcos Piangers

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Marcos Piangers

Marcos Piangers é autor do best seller O Papai é Pop, com mais de 300 mil livros vendidos e traduzidos em inglês, espanhol e catalão. É uma das maiores referências sobre paternidade do Brasil e cinco vezes palestrante do TEDx, a maior conferência de ideias do mundo. Seus vídeos já ultrapassaram a marca de meio bilhão de views na internet.

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Marcos Piangers é autor do best seller O Papai é Pop, com mais de 300 mil livros vendidos e traduzidos em inglês, espanhol e catalão. É uma das maiores referências sobre paternidade do Brasil e cinco vezes palestrante do TEDx, a maior conferência de ideias do mundo. Seus vídeos já ultrapassaram a marca de meio bilhão de views na internet.

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