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    Ser pai

    “Pai não tem cordão umbilical, mas tem mãos e braços e pernas pra fazer chegar o necessário”

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    Marcos
    Por Marcos Piangers
    07/08/2020 - 08h00
     Pai não tem nove meses de gestação, mas tem anos e anos de formação.
    Pai não tem nove meses de gestação, mas tem anos e anos de formação. (Foto: Instagram, reprodução)

    Como é difícil para um homem virar um pai. Ele faz filhos, mas como é difícil ser pai. Homem feito pra ser duro, orgulhoso, violento, competitivo, egoísta. Como é difícil para um homem transformar seu coração de pedra em manteiga. É preciso um milagre químico ou intervenção cirúrgica. Ouvir mais e falar menos. Aceitar o imprevisto, o incontrolável. Não ligar para os outros. Tirar suas máscaras, reconhecer o choro. Recolher a âncora, aceitar a onda. Tirar a armadura, pra construir um castelo.

    Pai não tem útero mas tem colo. Não tem peito, mas tem mamadeira. Não carrega na barriga, mas no abraço. Carrega no ombro, nas costas, na cabeça. Pai engravida no frio da barriga. Gesta no coração. Pare no choro. Nutre no beijo. Alimenta no carinho. Protege na atenção. Pai não nasce pronto. Se quebra na parto, se reconstrói no caminho. Nasce menino, cresce homem, morre pai.

    > Leia também: Por que o Brasil comemora o Dia dos Pais em agosto?

    Pai não tem cordão umbilical, mas tem mãos e braços e pernas pra fazer chegar o necessário. Pai não faz leite, mas faz comida. Não amamenta mas faz a papinha, dá a papinha, suja a roupa inteira de papinha, limpa a papinha que caiu no chão. Pai não tem nove meses de gestação, mas tem anos e anos de formação. Gesta fora, tentando fazer tudo certo. É árvore, esconderijo, refúgio, esforço, perdão, arrependimento, recomeço. Pra ser bom pai vira bom filho, bom marido, bom homem.

    Pai não tem útero mas tem colo. Não tem peito, mas tem mamadeira. 

    Pai é rei, princesa, professor, Messi, Eistein, Steve Jobs. Gigante, minúsculo, imbatível, chorão. Que nossa bolsa nunca estoure, nosso cordão umbilical  continue nutrindo eternamente, nosso colo seja apoio pra sempre. Que nosso amor seja tão grande ao ponto de causar pequenas revoluções, auréolas invisíveis, pequenos milagres, vagalumes onde formos, asas escondidas embaixo das nossas camisas. Que sejamos os super-heróis que nossos filhos sabem que podemos ser. Heróis anônimos, comuns, empurrando carrinhos, buscando nas festas, ligando aos domingos. Agradecidos por um dia termos virado o que nunca imaginamos que seríamos. Como é bom para um homem virar um pai.

    Leia outras crônicas de Piangers.

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