Em reportagem publicada no site da “Veja”, José Vicente faz uma análise e sugere “um Plano Marshall contra a evasão na educação”, destacando que as “estatísticas apontam para um cenário de terra arrasada e são as provas da incúria, displicência e incapacidade do país e da sociedade na área do ensino”. O Plano Marshall foi o principal plano dos Estados Unidos para a reconstrução dos países aliados da Europa nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial.

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De fato, os dados da evasão e abandono da educação no Brasil, são por demais preocupantes, e deveriam estar na pauta de todos os gestores e responsáveis, o que nem sempre acontece, dados os tantos outros desafios com os quais eles têm que lidar rotineiramente. Em artigo recente o presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Luiz Curi, destacou que, apenas 20% dos concluintes do ensino médio chegam à universidade. Em 2021, 30% das vagas oferecidas nas universidades públicas deixaram de ser preenchidas. É muito.

A taxa de evasão nos cursos particulares é de 62%, e nos cursos públicos, 55%. Curi finaliza o artigo destacando que a evasão no ensino à distância de engenharia e formação de professores chegou a quase 70%. São percentuais muito elevados.

Para José Vicente, “a realidade expressada pelas resultantes do cuidado e incentivos dado à educação brasileira….são as provas cabais da incúria, displicência e incapacidade do país e da sociedade de garantir que a educação cumpra de modo assertivo, objetivo e verdadeiro o seu papel civilizatório”.

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A boa formação de professores, bom currículo e boa gestão são fatores de sucesso para educação

Por isso, é necessário tratamento de choque, planejamento estratégico grandioso e, sobretudo, priorização como elemento estruturante e garantidor da formação, consolidação e alcance dos objetivos nacionais. A evasão e o abandono escolar trazem enorme desperdício de recursos públicos, empurrando o Brasil para as últimas posições em termos de qualidade na educação.

Em tempos onde a tecnologia, a digitalização e a inteligência artificial estão cada vez mais fortemente presentes em nossa rotina, em tempos de tecnologia 4.0, urge que seja dada à educação o destaque que ela merece e precisa, concentrando esforços para minimizar ao máximo, o abandono dos bancos escolares. É relevante que o ambiente escolar seja acolhedor, onde os estudantes se sintam bem e queiram passar mais tempo, aprendendo e bem se preparando para as vidas e carreiras.

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O interesse fortalece o sentimento de pertencimento dos estudantes com a escola e pelos estudos que, além de diminuir a evasão e o abandono, tende a apresentar melhores resultados no processo educacional. É importante que o Estado ofereça a oportunidade pela oferta da Educação de Jovens e Adultos (EJA) para aqueles que, por alguma razão, não concluíram os estudos na idade certa, mas esses devem ser minoria, diferentemente do que vem acontecendo. A elevada procura pela EJA, por si só, já deveria acender um grande sinal de alerta para os gestores e responsáveis.

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