Há poucos dias, celebramos o dia internacional da mulher. Mas porque celebrar o dia da mulher? É importante reconhecer que, se olharmos a história da humanidade, percebemos que o papel atribuído às mulheres nas comunidades, variava muito conforme à cultura de onde estavam inseridas.

Continua depois da publicidade

Porém, muitas características e costumes eram comuns: o valor feminino, as permissões que possuíam, as liberdades e o status social sempre foram menores e inferiores às atribuídas ou permitidas aos homens, e no mundo do vinho isto não foi diferente.

Durante séculos, o vinho foi contado como uma história masculina, através de reis, monges, comerciantes e críticos. A história e os livros registram seus nomes e seus impérios líquidos, mas entre as linhas da história oficial sempre estiveram elas, as mulheres.

Que a data Dia das Mulheres seja um bom momento para refletirmos sobre a importância do papel feminino ao longo do tempo, como baluarte essencial da família e da sociedade, valorizando e protegendo suas vidas, hoje tão fragilizadas, a mercê de valores distorcidos de homens inseguros e covardes.

É importante reconhecer que no mundo do vinho, assim como em todas as áreas, a atuação sempre foi predominantemente dominada por homens desde os primórdios da história. O papel das mulheres no mundo do vinho é uma história de resiliência, sensibilidade e muitas conquistas.

Continua depois da publicidade

Uma longa jornada que atravessa séculos, desde a antiguidade até os dias atuais; muitas vezes inviabilizadas, boicotadas e até proibidas, muitas vezes silenciosa, quase invisíveis, mas sempre absolutamente essencial. De figuras quase invisíveis na Antiguidade a protagonistas contemporâneas da viticultura, as mulheres sempre estiveram presentes, mesmo quando a história oficial demorou ou nunca as reconheceram.

Em tempos antigos, as mulheres desempenharam um papel crucial na produção e consumo de vinhos. Na Grécia Antiga, por exemplo, as festas em honra à Dionísio, Deus do vinho, eram lideradas por mulheres, as chamadas “Bacantes”.

Elas eram responsáveis por supervisionar o cultivo das vinhas e participavam ativamente das celebrações em torno da bebida. Também as mulheres romanas eram encarregadas de preparar e conservar o vinho, além de serem responsáveis por administrar as propriedades vinícolas de suas famílias.

Elas também desempenhavam um papel importante na degustação e na escolha dos vinhos que seriam servidos em banquetes e rituais. No entanto, em várias culturas antigas havia restrições ao consumo feminino ou à participação em rituais públicos ligados ao vinho.

Continua depois da publicidade

Durante a idade média as mulheres passaram a ter uma participação mais ativa na produção de vinho, muitas vezes liderando sua própria vinícola. Na Europa, especialmente na região da Borgonha, as abadessas dos mosteiros e as viúvas de produtores estabelecidos desempenharam um papel fundamental no cultivo das uvas, na produção dos vinhos e comando da vinícola, sendo responsáveis por introduzir novas técnicas de vinificação e preservar tradições que são preservadas até hoje; além de transmitir o conhecimento sobre vinificação e enologia às gerações futuras, preservando a riqueza cultural associada a vitivinicultura.

Embora o setor ainda seja predominantemente masculino, as mulheres, cada vez mais vêm ocupando papel de destaque, em todas as áreas da indústria vinícola, desde Sommelières, enólogas, proprietárias de vinícolas, comercialização de vinhos e líderes de instituições relacionadas ao vinho, contribuindo para a expansão do mercado e democratização do acesso à bebida.

Que atuando na educação e comunicação do vinho com sensibilidade estratégica, intuição e criatividade feminina transforma desafios em oportunidades, e assumindo o papel de protagonista têm agregado valor à produção e ao consumo de vinho, impulsionando o mercado e trazendo novas perspectivas e inovação ao setor.

Vamos todos reconhecer as trajetórias, celebrar as conquistas e reforçar nosso compromisso com um mundo mais igualitário no vinho e na vida. Porque o vinho sempre falou de origem, identidade e verdade. Era inevitável que mais cedo ou mais tarde, as mulheres também assinassem esta merecida autoria.
Saude!

Continua depois da publicidade

Néa Silveira
@neasommeliere