Que 2025 foi um ano difícil para a maioria dos setores produtivos não é novidade, e no setor vinícola não foi diferente. Apesar da produção mundial de vinho em 2025 ter registrado um aumento estimado em 3% em comparação ao ano de 2024, que teve a menor safra em 60 anos.
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Apesar da recuperação modesta no volume, o comércio internacional de vinhos manteve um valor elevado, impulsionado por preços médios de outros produtos. A União Europeia permaneceu como a principal produtora, embora tenha enfrentado grande volatilidade devido a contrastes climáticos que resultaram em colheitas de excelente qualidade em algumas regiões, enquanto outras tiveram volumes mais limitados.
Com a Itália recuperando a liderança na produção global, com uma colheita abundante e de alta qualidade, superando a França e a Espanha, graças a condições climáticas favoráveis. Muitas regiões europeias enfrentaram colheitas precoces devido à ondas de calor e secas. A escolha do momento exato da colheita foi crucial para equilibrar o teor de açúcar e a acidez.
Na França, regiões como a Borgonha sofreram com volumes limitados, enquanto o Vale do Loire teve um aumento espetacular na produção. O aquecimento global continua a ser uma ameaça perceptível, alterando o perfil em países e regiões tradicionais em excelência na produção de vinhos.
Já no Reino Unido o ano de 2025 foi aclamado como de uma safra de qualidade excepcional, que foi resultado de um verão extremamente seco. Portanto o ano de 2025 consolidou-se como um período de transições desafiadoras, efeitos climáticos e mudança de consumo, que exigiu adaptações e resiliência, com a indústria do vinho buscando inovações para enfrentar os desafios impostos pelo clima e pelas mudanças nos padrões de consumo.
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Por outro lado o Enoturismo se consolida como tendo um importante papel de crescimento do setor, já respondendo por cerca de 25% da receita total de muitas vinícolas. Essa tendência reforça a importância do turismo enológico como estratégia de diversificação de renda e promoção social.
Com desafios de toda ordem, a tradicional indústria vinícola espanhola enfrentou um sério problema que foi a escassez de mão de obra jovem. Com a maioria dos viticultores acima dos 50 anos, a necessidade de novos profissionais tornou-se urgente para manter a sustentabilidade do setor.
Na América do Sul, a Argentina continuou afirmando seu papel como referência sul americana. O país teve um desempenho excepcional, com aumento importante no número de medalhas de alto nível e destaque para variedades locais, incluindo a histórica conquista de um varietal 100% Criolla premiado com ouro – um marco para as uvas tradicionais sul-americanas.
A Argentina mais uma vez reafirmou sua posição de maior produtor de vinhos da América do Sul. Já o Chile teve um memorável 2025 no cenário do enoturismo e reconhecimento de vinícolas. A vinícola Vik, localizada no vale de Millahue, foi eleita melhor vinhedo do mundo no The World’s 50 Best Vineyards 2025, um prêmio global que celebra a experiência completa de produção e visitação.
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Além disso, vinícolas chilenas dominaram o top 50, com presença contínua entre as mais bem avaliadas globalmente, sinal de que o país segue como protagonista em qualidade de experiência, reforçando presença em mercados tradicionais no mundo e presença crescente dos seus vinhos no Brasil.
Já o Uruguai, manteve a tradição porém com inovação e dinamismo ganhando destaque no ranking World’s 50 Best Vineyards, com a Bodega Garzón no destaque Top 10, confirmando que vinícolas Sul-Americanas competem com grandes destinos europeus e do novo mundo na experiência enoturística global.
O vinho brasileiro deixou de pedir licença, para ocupar a mesa, reportagens em todos os meios de comunicação, e o radar internacional com mais personalidade técnica e identidade, mostrando um país que aprendeu a traduzir seu terroir na taça, vivendo um período de consolidação de identidades.
Regiões como Serra Gaúcha, Campanha Gaúcha, Serra do Sudoeste, Vale do São Francisco e a Serra Catarinense ganharam mais do que visibilidade; conquistaram respeito, associando crescimento com competência técnica, comunicação clara sobre origem, solo e clima; e sobretudo assumindo um discurso menos comparativo com outras regiões e estilos, mas valorizando uma produção autoral com características únicas do terroir com nos identifica, que é o nosso DNA, e tem orgulho da sua origem, qualidade e autenticidade, que faz a diferença e nos torna únicos.
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O gosto do consumidor evoluiu, e os produtores acompanharam, produzindo vinhos mais frescos, elegantes e menos alcoólicos. Com menor interferência e correções e mais expressão do seu terroir de origem, o Brasil aprendeu que sofisticação também mora na leveza.
Também avançou de forma estratégica na presença internacional com exportações mas focadas e consistentes, participação em importantes feiras e eventos globais, resultando em ganho de espaço para nossos vinhos.
Meus olhos de Sommelère assistiu um dos movimentos mais bonitos e necessário no setor, que foi o surgimento de uma comunicação mais humana, próxima e verdadeira, voltada para as histórias das famílias que produzem, humanizando o vinho, pequenos produtores e as novas gerações, também dando maior visibilidade para as mulheres do vinho. Enfim, o vinho voltou a ser contado por quem produz, que participa de todo o processo dá vida ao vinho e não apenas por quem vende, resgatando a verdadeira alma do vinho.
O vinho brasileiro também se reinventou na forma de se comunicar. Com conteúdo educativo nas redes sociais, linguagem menos técnica e mais sensorial, se aproximou do público jovem que é curioso e está se interessando cada vez mais pelo mundo do vinho. E sobretudo e mais importante, o vinho vem sendo tratado com menos formalidade e reverência e sendo mais sensorial e prazeroso, vivido com descontração e alegria.
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Enfim, 2025 o mercado do não buscou respostas fáceis. Preferindo escutar a terra, o mercado, estando mais atento, mais humano, mais sustentável, mais real e mais conectado com as emoções que o vinho desperta em nós.
Santé
Néa Silveira
@neasommelire








