Com novas regiões vitivinícolas “surgindo” no Brasil, o mapa do enoturismo nacional deve mudar em um futuro próximo. Fortalecido pelo crescente interesse em experiências premium — como beber ótimos vinhos e se hospedar na própria vinícola — cresce o número de hotéis e pousadas que oferecem serviço completo aos clientes, aliando vinhos, gastronomia, lazer e bem-estar. Esse interesse tem impulsionado o surgimento de empreendedores que estão apostando e investindo na área do enoturismo.

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Sul lidera tradição e estrutura do enoturismo

O Sul do Brasil sempre dominou com folga essa área do setor turístico, mais especificamente o estado do Rio Grande do Sul. Foi o primeiro a fazer investimentos em grandes projetos do setor, como custeio para implantação e produção de vinhos, além da realização de feiras e concursos.

Essa supremacia ocorreu por uma combinação rara de fatores históricos, culturais e naturais, além de estímulos do próprio estado, que sempre apostou na atividade como fonte de receita pública e privada. Na questão histórica, a vitivinicultura nasce com força no Sul, especialmente com a imigração italiana no século XIX.

Regiões como a Serra Gaúcha e o Vale dos Vinhedos foram construídas e moldadas por famílias que trouxeram não só mudas de videiras, mas, sobretudo, o hábito cultural do vinho. Não era apenas produzir, mas receber em casa, servir e celebrar.

O clima também contribuiu. Com estações bem definidas, aproxima-se do imaginário clássico europeu do vinho. A paisagem das videiras ao longo do ano cria um apelo turístico forte: visual, sensorial e emocional.

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Vale dos Vinhedos elevou padrão do setor

O Vale dos Vinhedos foi a primeira região do Brasil a conquistar uma Indicação de Procedência (IP), elevando o padrão de qualidade e organização. Também investiu cedo em rotas de vinho organizadas, com vinícolas abertas à visitação, gastronomia integrada e hotelaria temática.

Setor avança e ganha novos territórios

Essa liderança estruturada começa a se expandir para outros estados e regiões, em um movimento dinâmico e qualificado, que impulsiona a descentralização da produção vitivinícola. O setor avança para áreas que apresentam resultados positivos para o plantio e a produção de vinhos, com a construção de vinícolas em complexos enogastronômicos de luxo, atraindo turistas para novos destinos.

Tecnologia abre caminho para novos terroirs

Vale abrir um parêntese: o avanço da tecnologia e da ciência, aliado à ousadia de alguns empreendedores, foi crucial para o sucesso em terroirs antes não considerados adequados. Essas regiões se tornaram gratas surpresas e hoje produzem vinhos de alta qualidade, conquistando um público em busca de novidades.

O ano de 2026 deve marcar a consolidação dessa expansão. Neste novo capítulo dos vinhos do Brasil, algumas regiões já começam a conquistar protagonismo. Quais estão na disputa e quais devem chegar ao topo?

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Serra da Mantiqueira desponta como nova potência

Serra da Mantiqueira — Serra dos Encontros (SP/MG)

Historicamente uma região cafeeira, devido à intensa produção nos séculos XIX e XX, a Serra da Mantiqueira tem se transformado em um território promissor para grandes vinícolas do país. É considerada uma das novas apostas do vinho brasileiro, com potencial econômico relevante.

Com mais de 100 projetos de vinícolas em desenvolvimento e forte presença de investimentos de alto padrão — incluindo hotelaria e experiências completas —, a região se destaca pela valorização de arquitetura, design e hospitalidade desde o início. É também onde a técnica da dupla poda já está consolidada, resultando em vinhos mais estruturados e elegantes.

Altitude e técnica definem estilo dos vinhos

Os vinhedos estão entre 900 e 1.400 metros de altitude. As noites frias preservam a acidez, enquanto os dias ensolarados garantem a maturação, resultando em equilíbrio entre potência e frescor. Trata-se de um perfil gastronômico, preciso e sem excessos.

A região deve disputar protagonismo em qualidade, narrativa e valor percebido, já que nasce com uma mentalidade de luxo contemporâneo.

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Investimento e estratégia marcam a nova vitivinicultura

Na Mantiqueira, muitos produtores são empresários, engenheiros ou investidores, o que resulta em decisões mais técnicas e menos emocionais, com foco em posicionamento de marca. O vinho é pensado como produto de alta performance, e não apenas como tradição.

A localização estratégica, próxima a grandes centros como São Paulo, favorece o turismo de fim de semana sofisticado, voltado a um público de alto poder aquisitivo.

Quem puxa a vitrine da Mantiqueira

A Vinícola Guaspari (@vinicolaguaspari) é uma das principais referências da região. Foi pioneira nos estudos e na produção de vinhos de inverno, com rótulos de destaque internacional, especialmente com a uva Syrah.

A Vinícola Estrada Real (@vinicolaestradareal) é considerada o berço da técnica da dupla poda. Seu fundador, Murillo de Albuquerque Regina, teve papel decisivo na aplicação dessa técnica, revolucionando a viticultura no Brasil. Produz vinhos elegantes, com foco na Syrah.

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A Casa Geraldo (@casageraldo), com mais de 50 anos de tradição, evoluiu para o segmento premium e é uma das maiores e mais antigas vinícolas da região. Fez a transição para vinhos finos com a dupla poda, mantendo volume com qualidade.

A Casa Verrone (@casaverrone) se destaca pela elegância e consistência técnica. Com produção autoral e diversidade de castas — como Primitivo, Cabernet Sauvignon, Chenin Blanc e Viognier —, seus vinhos são respeitados entre sommeliers.

A Vinícola Villa Santa Maria (@vinicolavillasantamaria) alia experiência e estética. Reconhecida pela arquitetura e pelos vinhos premiados, oferece uma experiência completa de enoturismo voltada ao público de alto padrão.

A Vinícola Ferreira (@vinicola.ferreira), com vinhedos a 1.600 metros de altitude e 15 anos de história, reúne altitude, luxo e premiações internacionais. Sua estrutura sofisticada representa o lado mais contemporâneo e premium da região.

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Continua na próxima semana.

Saúde!
Néa Silveira (@neasommeliere)