A pandemia reforçou ainda mais uma tendência que já estava em ascensão – a digitalização de processos e das empresas. A relação dos colaboradores, fornecedores e clientes passa a ser mais voltada ao uso da tecnologia. Se, por um lado, a mudança de paradigma foi abrupta para muitos que ainda não investem em ferramentas digitais, aqueles que já vinham difundindo valores e comportamentos dentro das organizações saíram muitos passos à frente dos concorrentes nos últimos anos.

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Migrar para o digital exige reposicionamento, é uma mudança de cultura que envolve desde os níveis mais baixos até os mais altos das posições dentro das companhias. O importante é saber como essa mudança vai trazer valor para o cliente e melhorar a competitividade no mercado.

Mentalidade ágil:

Para Alexandre Adoglio, mentor do programa iNovaSC e especialista em planejamento estratégico digital, as principais tendências para o desenvolvimento de uma cultura digital estão em acelerar o processo de automatização de processos e promover uma mudança de mindset.

– A cultura digital veio para ficar, não há mais como escapar disso. O digital está influenciando nossa forma de consumir, pensar e interagir. Como há níveis, se você quer se basear em como as coisas eram antes, acaba sofrendo com isso. As ferramentas hoje automatizam processos que achávamos que durariam anos, mas foram apenas meses. Uma pessoa sem um mindset adaptável está em uma emboscada, tanto para se manter em um cargo ou para empreender. Se antes, havia um ano para se acostumar com um sistema novo, hoje em dia, são apenas alguns meses.  Não adianta a empresa querer mudar e ter mentalidade de inovação se internamente é o que o diretor manda. Isso destrói a inovação e a tecnologia. O princípio é horizontalizar conhecimento e liderança, em comunidade.

Inovação digital:

Com mais de 18 anos de atuação no Brasil e no exterior, Adoglio ressalta que estratégias encontradas em startups e empresas de tecnologia, como o pensamento enxuto, contribuem para uma melhor transparência e potencializa a liderança de gestores.

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– Fazer acontecer com poucos recursos e inteligência de escala. As empresas tradicionais têm como aprendizado o pensamento Lean (pensamento enxuto), que é fazer muito com muito pouco. Em um primeiro momento, quando saí do mundo corporativo comum, demorei em aprender esse processo. Ele traz mais transparência e isso ensina os gestores a ter uma liderança autêntica, baseada em persuasão. Você só consegue ter compartilhamento com mínimo de organização e controle.  O pensamento Lean unido ao mindset digital. E são muitas empresas grandes que estão implantando isso em larga escala já – Teltec Solutions, Uber são alguns exemplos.

A experiência do cliente e o fator tempo são aspectos levantados por Alexandre
A experiência do cliente e o fator tempo são aspectos levantados por Alexandre (Foto: Pixabay)

Cliente no centro:

A experiência do cliente e o fator tempo são aspectos levantados por Alexandre, CMO na Sônica, quando ele aponta para riscos de uma empresa ainda não ser digital.

– Estudo recente mostra que 20% das empresas brasileiras não estavam ainda em processo de digitalização. A taxa de mortalidade delas vai ser alta porque o consumidor não tem mais tempo a perder. Imagine uma contabilidade que não está digitalizada. Ou digitaliza ou morre. Hoje, é tudo centralizado no cliente. Nada que você vai fazer de cultura digital se não for centralizado no consumidor, ele como foco de tudo. Conheço cases que utilizaram ferramentas muito caras, sem contar o valor para o consumidor. Sem saber quais são as demandas digitais, está fadado ao fracasso.

Mudança de mindset:

A transformação digital das empresas precisa passar por etapas, desde o engajamento de pessoas até o uso de ferramentas. Para Alexandre Adoglio, a cultura digital continuará acelerada nos próximos meses e anos.

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– O primeiro passo é pesquisar, fazer um levantamento de mercado sobre como seus concorrentes estão posicionados no ambiente digital. Quanto mais você pesquisar, menor vai ser a probabilidade de cometer um erro. O passo seguinte é a capacitação das pessoas. Olhar para dentro da empresa e verificar quais os gaps digitais – pessoas, processos, capacitação, conhecimento, mindset e soft skills. A última etapa é verificar que ferramenta eu preciso.

– Quando as empresas vão fazer um processo de transformação digital erram a mão porque vão direto para a ferramenta. O ideal é começar pelas pessoas. O programa da NSC, por exemplo, foi proposto para ser a partir das pessoas, com uma mudança do mindset. A companhia precisa saber que deve mudar, a partir de uma noção estratégia – e antes tarde do que nunca.

– Precisamos entender que estamos passando por um momento muito grande de disrupção na mídia e a crise tem que ser encarada como uma grande oportunidade. Uma transformação que vai levar a outro patamar. A cultura digital horizontalizou, popularizou e democratizou o acesso à informação. A evolução da cultura digital vai ser acelerada a partir de agora.

INovaSC:

Aprimorar a cultura digital por meio do intraempreendedorismo dos colaboradores está entre os objetivos do iNovaSC, programa da NSC voltado aos colaboradores, realizado em parceria com a Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE).

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