Os vereadores de Blumenau optaram pela cautela e até agora evitaram comentários públicos sobre a operação da manhã desta terça-feira (3) que prendeu em flagrante o vereador Almir Vieira (PP), liberado após audiência de custódia. À tarde, durante a primeira sessão ordinária do ano, a presença da polícia na Casa horas antes foi solenemente ignorada nas falas dos 14 parlamentares presentes – Vieira faltou ao encontro.
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Nos bastidores, no entanto, este foi o assunto do dia, tratado inclusive em uma reunião a portas fechadas que chegou a suspender a sessão. A operação provocou incômodo em alguns parlamentares, receosos do impacto negativo das imagens da polícia revistando a Câmara. Duas pessoas com trânsito no Legislativo ouvidas pela coluna disseram, sob condição de sigilo, não estarem surpresas com a ação.
Em conversas reservadas, os vereadores discutiram como reagir à situação. O consenso geral, embora não tenha havido nenhuma orientação ou pacto neste sentido, foi de por ora não entrar no mérito da questão. Sem acesso à investigação e sabendo dos primeiros detalhes da operação pela imprensa, entendeu-se que o mais prudente seria fugir dos pré-julgamentos.
A interpretação é que se trata de um caso “delicado e espinhoso”, nas palavras de um membro da Câmara, que exigiria propriedade e conhecimento de causa para firmar posição. Para não dar margem a movimentos precipitados, que poderiam provocar impactos políticos, a maioria decidiu aguardar o avanço das investigações.
— Não tem como pedir uma ação da gente nesse instante porque tudo o que a gente sabe é das notícias que estão circulando — disse outro integrante do Legislativo à coluna.
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Boa parte dos vereadores ainda não estava na sede da Câmara quando a Polícia Civil apareceu para cumprir os mandados. Muitos, na hora, batiam ponto na abertura do ano letivo da rede municipal, que acontecia em paralelo na Vila Germânica. As informações começaram a chegar rapidamente.
Os parlamentares têm consciência, por outro lado, de que haverá cobrança por um algum tipo de posicionamento, principalmente porque, prolongado, o silêncio se tornará constrangedor. Em algum momento, o conselho de ética da Casa deverá ser acionado para analisar os fatos, seja por uma provocação interna ou externa.
Batizada de Happy Nation, a operação deflagrada nesta terça-feira cumpriu mais de 30 mandados de busca e apreensão em Blumenau, Itapema, Balneário Camboriú e Videira. Os crimes investigados são rachadinha, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Os supostos esquemas envolvem pagamento de propina por empresas para contratação junto à prefeitura, além de recebimento de mesadas – a popular rachadinha – de indicados de confiança para cargos públicos. A investigação começou após uma denúncia feita em 2024, ano em que Vieira, um dos alvos, era presidente da Câmara de Blumenau.
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Em uma nova publicação feita nas redes sociais no início da noite, Vieira informou que já estava em casa, novamente disse que estava à disposição das autoridades e avisou que seguirá exercendo normalmente o mandato.
“Confio plenamente na Justiça e tenho a tranquilidade de quem sempre agiu com responsabilidade”, escreveu o vereador.

