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    Prejuízos no agronegócio

    Após embargo árabe, empresa de Indaial vai dar férias coletivas a 200 funcionários

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    Por Pedro Machado
    31/01/2019 - 14h11 - Atualizada em: 31/01/2019 - 14h22
    Villa Germania é a maior exportadora de patos da América Latina (Foto: Divulgação)

    Afetada pela decisão da Arábia Saudita de suspender as importações brasileiras de aves, a Villa Germania, de Indaial, vai dar férias coletivas para cerca de 200 dos 300 funcionários. Será um período curto, em princípio de apenas dez dias, em março, segundo o diretor Marcondes Moser. Diante do embargo, o executivo diz que a empresa precisa reajustar o volume de produção.

    Maior exportadora de pato da América Latina, a Villa Germania tem na Arábia Saudita um dos seus principais mercados, responsável por 20% do volume total de produção e 30% das vendas externas. Anualmente, os árabes compram 1,2 mil toneladas, receita que fica entre R$ 11 milhões e R$ 12 milhões.

    A empresa, porém, entrou na lista dos frigoríficos que foram descredenciados pelo governo saudita na última quinzena de janeiro. O foco maior do embargo é a carne de frango. Para Moser, os árabes incluíram de maneira equivocada a de pato no pacote - tanto que a Villa Germania nem chegou a passar por inspeção sanitária que justificasse a intervenção. Teria pesado para a falta de diferenciação o fato dessa proteína, que é mais nobre e de nicho, ser importada em volumes muito menores, pouco significantes perto da quantidade de frango.

    O reajuste na produção vai atingir apenas funcionários que atuam no abate. Após a decisão do governo árabe, alojamentos foram isolados. Os animais ficam neles durante um período médio de 42 dias. É por isso que as férias coletivas serão em março, período em que, depois desse processo, eles deveriam ser abatidos. Colaboradores das demais áreas administrativas da empresa e da cadeia produtiva continuarão trabalhando normalmente. Por ora, demissões estão descartadas.

    — É um ajuste de volume, e a forma mais econômica (de se fazer isso) é dar férias coletivas na parte de abate — esclarece Moser.

    A Villa Germania continua se movimentando para tentar reverter o embargo e minimizar os prejuízos. A estratégia é buscar um tratamento diferenciado, já que a Arábia Saudita, segundo Moser, não produz pato – e, portanto, não faria sentido suspender as importações.

    Nesta sexta-feira, o empresário terá uma audiência com o prefeito de Indaial e a secretaria de Agricultura de Santa Catarina. Uma reunião entre o Ministério da Agricultura e a autoridade sanitária árabe, que deveria ter acontecido nesta quarta-feira, foi postergada para domingo. A expectativa de produtores é que surjam novidades a partir do encontro.

    A suspensão imposta pelos árabes teria motivações comerciais. Há relatos de que o país quer aumentar a produção própria de frango, como forma de diversificar sua economia interna. Para fortalecer o agronegócio local, estaria impondo regras sanitárias mais rígidas para os exportadores.

    Embora as autoridades nacionais rejeitem a possibilidade, não se descarta ainda que a medida seja uma retaliação com contornos políticos. Seria uma reação dos árabes à proposta do governo Jair Bolsonaro de transferir a embaixada brasileira de Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

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