A prefeitura de Blumenau não vai mexer, pelo menos neste início de 2026, no preço da passagem de ônibus, mesmo após um pedido de reajuste feito pela Blumob. No início de novembro, a empresa recorreu a um dispositivo do contrato de concessão para solicitar à agência reguladora (Agir) uma revisão anual da tarifa, considerando a variação de preços como óleo diesel e mão de obra.
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A decisão de congelar o preço já foi tomada pelo prefeito Egidio Ferrari (PL). Mas terá um custo: para não repassar o aumento para a ponta, o município vai aumentar o subsídio oferecido à Blumob. As projeções indicam que a ajuda financeira para a operação chegará a R$ 69 milhões em 2026, um acréscimo de R$ 12 milhões em relação ao que foi pago no ano passado.
A revisão anual está prevista no contrato de concessão e geralmente atualiza os valores com base na oscilação da inflação, como acontece com outros serviços públicos – como as taxas de água e esgoto, por exemplo. No caso do transporte coletivo, o processo costuma se desenrolar entre novembro e dezembro, com aplicação de uma nova tabela de valores normalmente no início do ano seguinte.
O pedido feito pela Blumob à Agir na reta final do ano passado diz respeito à chamada tarifa técnica, que é a necessária para pagar o sistema. Em 2025, ela estava em R$ 8,98, embora esse não seja o valor cobrado na catraca – atualmente R$ 5,50, na compra de créditos do cartão comprados antecipadamente, e R$ 6,80 no dinheiro vivo. O pleito da empresa, deferido pela Agir, foi de um reajuste para R$ 9,78 para 2026, um incremento na casa dos 8%.
São esses 80 centavos de diferença na chamada tarifa de remuneração que a prefeitura, na prática, vai bancar adicionalmente, com a ampliação do subsídio para manter os valores.
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— De uma forma ou de outra a conta precisa ser paga, já que existe um contrato. Eu decidi absorver esse aumento — disse Ferrari à coluna.
O prefeito também diz que já solicitou a abertura de uma revisão técnica extraordinária (RTE), nos mesmos moldes do que está sendo feito com a concessão do esgoto, para passar um pente fino no contrato do transporte coletivo. A análise vai buscar caminhos para diminuir custos do sistema.
Uma das medidas já tomadas, segundo Ferrari, é aumentar a “vida útil” dos ônibus, permitindo que eles rodem por mais anos do que o inicialmente previsto. Isso diminuirá despesas com renovação periódica da frota, que exige investimento maior por parte da Blumob. Também se estuda usar veículos menores, que consomem menos combustível e exigem menos manutenção, em linhas com menor demanda.

