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Centro de Convenções de Blumenau vira cabo de guerra entre governo de SC e prefeitura

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Por Pedro Machado
12/06/2021 - 09h37 - Atualizada em: 12/06/2021 - 09h39
Espaço foi projetado para ter 11 mil metros quadrados
Espaço foi projetado para ter 11 mil metros quadrados (Foto: Divulgação)

Divergências entre o governo de Santa Catarina e Blumenau sobre o Centro de Convenções, que já não se limitavam mais aos bastidores, foram escancaradas de vez. Não caiu nada bem dentro da prefeitura uma fala do secretário de Estado da Infraestrutura, Thiago Vieira, indicando que o município seria o responsável pela demora na liberação dos R$ 28 milhões necessários para a obra. Vieira comentou o assunto em entrevista ao jornalista Alexandre José, na rádio Massa FM, nesta sexta-feira (11).

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– Como é que está abandonada (a cidade) se a gente quer dar os R$ 30 milhões para o Centro de Convenções e não consegue? – disse Vieira ao ser questionado pelo comunicador sobre obras do Estado na região.

A declaração teve repercussão negativa imediata. O secretário de Turismo e Lazer, Marcelo Greuel, entrou em campo para contestar a posição. À coluna, disse que todos os projetos técnicos estão prontos e que o município já entregou o orçamento ao Estado – é o nó que ainda falta ser desatado para tirar a obra do papel. O governo, no entanto, fez algumas ressalvas e solicitou ajustes nos valores. Essa revisão está a cargo da empresa que foi contratada pela prefeitura para elaborar o projeto do Centro de Convenções, mas ainda não foi concluída.

Greuel reconhece que essa é uma pendência do município, que já notificou a empresa para agilizar o serviço. O incômodo maior se deve ao tom usado por Vieira. O titular do turismo de Blumenau alega que a prefeitura mantém contatos frequentes com engenheiros e arquitetos do Estado, argumenta que já tratou sobre o assunto com diferentes secretários e que inclusive chegou a levar pessoalmente o projeto a Florianópolis quando técnicos da pasta estavam trabalhando de forma remota.

Blumenau cansa de esperar recurso do governo de SC e avalia alternativa para o Centro de Convenções

O cabo de guerra está instalado. De um lado, o governo do Estado diz que desde abril aguarda respostas sobre adequações para liberar os recursos e que há inconsistências nas cotações inicialmente apresentadas (leia na nota abaixo). Do outro, a prefeitura questiona o retorno da primeira proposta de orçamento, sustentando que nesse intervalo de vai e volta insumos e matérias-primas usadas na construção civil, como ferro e aço, registram oscilação de preço, “envelhecendo” o orçamento.

O clima belicoso sintetiza o distanciamento que existe entre as administrações municipal e estadual. Falta um interlocutor para fazer essa ponte, apaziguar os ânimos e alinhar uma solução para um problema que as duas partes dizem estar interessadas em resolver. Este papel coube ao atual secretário de Comunicação de Blumenau, André Espezim, na passagem-relâmpago na pasta de Infraestrutura estadual. Quem se habilita a assumi-lo agora?

O que diz o Estado

A coluna pediu um posicionamento oficial da Secretaria de Estado da Infraestrutura sobre a situação. Recebeu como resposta o texto a seguir, reproduzido na íntegra:

Desde abril, o Governo do Estado aguarda respostas do município de Blumenau sobre adequações técnicas necessárias para liberar recursos para a construção de um centro de convenções na cidade.

De acordo com a Superintendência de Obras Civis da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade, há inconsistências no projeto entregue pelo município que vão desde a falta de detalhamento de quantidades/custos de itens como concreto armado, estrutura metálica, climatização do prédio, revestimentos, esquadrias, terraplenagem e pavimentação da área externa até compatibilização do orçamento da obra com referenciais reconhecidos. No caso, cotações de mercado adequadas como a do Sistema de Custos Referenciais de Obras e ou Sistema Nacional de Sistemas de Custos e Índices.

O secretário Thiago Augusto Vieira explica que o rigor na avaliação é aplicado a todos os projetos que passam pela SIE e, em geral, no poder público. “São trâmites normais de qualquer projeto dessa monta, que precisam ser consistentes. Sabemos da importância dessa obra e queremos tirar do papel, mas precisamos que a prefeitura faça a sua parte. Quem perde com essa morosidade do Executivo Municipal é a cidade de Blumenau”, afirma o titular da pasta.

A principal cidade do Vale do Itajaí pleiteia um convênio com o Estado para custear a obra de R$ 28 milhões. Nessa modalidade, o governo repassa os valores de investimento (ou parte) e o município providencia a construção.

Projetado para ter 11 mil metros quadrados e seis andares, a nova estrutura é uma demanda do trade turístico e consequentemente de toda a comunidade. A expectativa é de que contribua para fomentar o turismo de eventos durante o ano inteiro.

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