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    Economia

    Com Páscoa comprometida, fábricas de chocolate de SC se reinventam para salvar vendas

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    Por Pedro Machado
    02/04/2020 - 11h27 - Atualizada em: 02/04/2020 - 11h51
    Produção de chocolates
    Na Nugali, capacidade de produção foi reduzida (Foto: Marco Favero, BD)

    A pandemia do novo coronavírus provoca prejuízos a toda economia, mas tem um gosto especialmente amargo para fabricantes de chocolates. Nesta época do ano, o setor normalmente estaria a mil, com produção dobrada para atender a demanda de Páscoa. Para muitas empresas, principalmente as pequenas que produzem o doce de maneira artesanal, o período representa mais da metade do faturamento anual. É a hora de engordar o caixa e fazer frente às despesas do restante do ano. Mas, com o comércio fechado, as encomendas encolheram, comprometendo as vendas.

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    Uma das mais premiadas marcas de chocolate do Brasil, a Nugali, de Pomerode, projeta uma queda de até 50% nas vendas deste ano na comparação com 2019. A empresa estava seguindo o manual: no início do ano, reforçou o estoque pensando na ampliação da produção motivada pela Páscoa. A pandemia, no entanto, afetou os planos. A fábrica está operando com capacidade reduzida e representantes que reforçariam as vendas deixaram de ser contratados.

    — A cabeça do consumidor se desconectou da Páscoa — conta Maitê Lang, proprietária da marca.

    Fundada no ano passado, a Liebling, de Blumenau, já participou da Oktoberfest e do Magia de Natal. Apesar dos bons resultados alcançados nesses dois eventos, nada superava a expectativa pela primeira Páscoa. O planejamento, porém, também precisou ser reajustado. A abertura da loja de fábrica, programada para março, foi adiada. A produção nesta época, que teria até oito pessoas, está limitada a duas.

    — Eu imaginava que a gente chegaria a produzir de 400 a 500 quilos de chocolate. Se chegar a 100 é muito — projeta Jean Henrique Havenstein, sócio proprietário da empresa.

    Para a Happs Chocolates, esta época responde por cerca de 60% do faturamento anual. Os preparativos também começaram em janeiro, antes da pandemia estourar. Mas com a mudança de cenário, tudo foi revisto. A empresária Fabiane Milani conta que funcionários temporários que trabalhariam até a Páscoa tiveram o encerramento do contrato antecipado.

    A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) diz que ainda não é possível precisar o impacto na demanda de produtos de Páscoa. Em nota oficial, a entidade diz que a prioridade do segmento é a segurança e a saúde da população.

    Novos caminhos

    Os fabricantes artesanais costumam vender seus produtos em lojas próprias ou em comércios especializados, fechados em tempos de pandemia. Restaram os supermercados, onde nem todos estão presentes – e a concorrência com gigantes do ramo também é bem maior. Nenhum deles, no entanto, reclamou de braços cruzados.

    Vendas pela internet e até mesmo entregas feitas nas casas dos clientes têm ajudado a contornar a situação. A Liebling, por exemplo, viabilizou uma loja virtual em cinco dias com possibilidade de entregas em 18 cidades. Em Blumenau, elas são gratuitas. A Happs seguiu pelo mesmo caminho e dá 20% de desconto em compras acima de R$ 100, também com frete grátis em Blumenau.

    A Kostbar também encontrou um novo filão no mercado digital. A empresa previa ampliar a produção em 50% em 2020 em relação ao ano passado. Mas, diante do atual cenário, mudou a estratégia: agora procura produzir sob encomenda, para evitar maiores prejuízos.

    Com a loja própria fechada, a Kostbar passou a olhar mais para a internet e as redes sociais. E os resultados têm sido positivos. O gasto médio dos clientes que compram on-line, por exemplo, está sendo bem maior do que no espaço físico. O delivery será mantido e reforçado quando a situação se normalizar.

    — Vimos um canal de comunicação e de venda que a gente não trabalhava muito — conta Julia Voltolini da Silva, uma das sócias da marca.

    Campanha incentiva chocolate artesanal

    Para valorizar a economia local nesses tempos tão instáveis, a Secretaria de Turismo e Lazer de Blumenau lançou nesta semana uma campanha de apoio às chocolaterias artesanais da cidade. É uma tentativa de minimizar os impactos provocados pelo coronavírus – que levaram o município inclusive a cancelar a programação de Páscoa prevista para a Vila Germânica.

    — A campanha é muito legal, porque nos ajuda aqui. No mercado não tem chocolate nosso, da nossa cidade, é do Brasil. São empresas maiores, que não temos como competir. Isso ajuda o local, e hoje em dia temos um preço tão acessível quanto essas grandes empresas — avalia Alexandra Adriano Mondini, sócia da Herr Chocolates, que integra a campanha ao lado da Happs, da Kostbar e da Liebling.

    Para empresários do ramo, a iniciativa pode ser um embrião para a criação de um selo de procedência regional destacando o “chocolate de Blumenau”, a exemplo do que já existe em Gramado (RS).

    Solidariedade em meio à crise

    Em momentos tão difíceis, um bom chocolate pode representar um momento de alívio para profissionais de saúde. Foi pensando nisso que a Nugali decidiu distribuir ovos de chocolate para equipes do Hospital Santa Catarina, de Blumenau, e do Hospital Rio do Texto, em Pomerode. Antes a empresa já havia colaborado na compra de equipamentos médicos. Segundo Maitê, a decisão foi alinhada e respaldada pelos funcionários.

    — Esses profissionais não vão ter Páscoa —lembra a empresária, reforçando que o objetivo é proporcionar um pequeno momento de alegria em meio à pandemia.

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