Pufes, redes, mesas de jogos, videogames e uma série de outros “mimos” ganham cada vez mais espaço dentro das empresas. Ambientes de trabalho modernos são uma maneira de fazer com que as pessoas tenham uma válvula de escape no dia a dia corporativo, e isso vai acabar se refletindo em bem-estar e mais produtividade, defende o arquiteto Guilherme Moki.

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Profissional com 15 anos de experiência em arquitetura corporativa, Moki se especializou no desenvolvimento de projetos de interiores. No currículo, acumula participação em trabalhos para empresas como Google Brasil, Nokia e Ambev, entre outras. Em Santa Catarina, foi o responsável pelo projeto da Acate Primavera, em Florianópolis. Ele também “desenhou” a nova sede da blumenauense AMcom, que será inaugurada em março.

Apesar de reconhecer que espaços dinâmicos muitas vezes ainda são restritos a empresas de tecnologia, Moki avalia que esse conceito vem ganhando força, inclusive como estratégia para atração e retenção de talentos. Confira a seguir a entrevista:

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Por que as empresas têm investido em ambientes de trabalho cada vez mais dinâmicos?

Porque é uma possibilidade de fortalecer o trabalho em equipe, fazer com que os colaboradores interajam e se conheçam melhor dentro da empresa. Um espaço dinâmico, divertido e agradável faz com que as pessoas tenham um melhor contato entre elas, criando mais empatia com o trabalho e também com as outras equipes envolvidas durante o processo.

O que leva uma empresa a implantar esse tipo de ambiente?

Muitas vezes são necessidades de novos espaços, mas muito mais para melhorar a produção e a qualidade do trabalho. Hoje as empresas têm uma preocupação muito maior com os colaboradores, e isso é muito bacana. Claro que isso traz resultados para a empresa, mas isso é pensado com foco no colaborador.

Como deve ser esse ambiente do ponto de vista arquitetônico?

Tem que ser um ambiente flexível, que permita mudanças internas e configurações que viabilizem novas estruturas de trabalho, e fácil de ser moldado de acordo com as necessidades, seja uma formatação de time diferente ou para um trabalho mais isolado ou de grupo. O espaço tem que permitir esse movimento interno dentro da empresa.

Mesas de jogos e videogames, por exemplo, não podem fazer com que o funcionário se distraia e perca o foco no trabalho?

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Eu acho que é o contrário. Isso faz com que as pessoas tenham suas válvulas de escape dentro do trabalho, e isso cria uma empatia com a empresa, fazendo com que o funcionário se sinta mais à vontade e consiga desenvolver melhor o seu potencial. Um ambiente estimulante como esse faz com que o funcionário queira participar mais da empresa, porque ele se sente valorizado.

É proposital que esses ambienteis lembrem mais a casa do colaborador?

Exatamente. Hoje a empresa, na maioria das vezes, é o nosso primeiro lar, porque a gente fica muito mais tempo nela e com os colaboradores do que com a própria família. Um ambiente que remeta à pessoa algo que traga a ela mais conforto e identificação é importante para que ela se sinta à vontade.

Você ouve relatos de aumento de produtividade com projetos desse tipo?

Muitos. Primeiro porque muda o ânimo de toda a equipe. O fato de se sentir parte da empresa faz com que o colaborador se sinta mais valorizado e animado para desenvolver todas as suas tarefas. O ambiente colabora muito para isso, além de trazer uma união entre as pessoas. Você começa a criar pontos de encontro dentro da empresa, e isso faz com que os colaboradores tenham a possibilidade inclusive de se conhecer. É diferente de ter ambientes segregados e isolados, onde você só vai encontrar as pessoas no hall do elevador ou na saída. Neste caso não, você tem a possibilidade de conviver e conhecer profissionais de outros setores. Isso cria uma unidade dentro da empresa.

Como você vê esse conceito hoje no Brasil? Ainda é algo muito restrito a empresas de tecnologia?

Claro que hoje isso é muito forte nas empresas de tecnologia, mas existe um movimento de aproximação maior com os colaboradores. Isso é geral. É bem claro como você consegue potencializar e melhorar o clima da sua empresa através de um bom ambiente de trabalho. A gente tem percebido um movimento grande de outros setores tentando buscar um ambiente mais atrativo de trabalho, até porque isso é importante também na retenção de talentos. Se você não tem um ambiente de trabalho adequado, algum dos seus concorrentes vai ter. Para o profissional isso é um ponto que ajuda na decisão de onde ele quer trabalhar.

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É possível expandir esse formato em indústrias e chão de fábrica?

Com certeza. Todas as empresas são feitas por pessoas, e as pessoas têm suas necessidades, vontades, desejos. É claro que o pessoal vai aproveitar da mesma forma, independentemente da área de atuação. Apesar dos setores, as necessidades de qualidade de trabalho são as mesmas.

Qual é o futuro do ambiente do trabalho num cenário onde as transformações são cada vez mais rápidas?

É difícil prever porque a revolução que tem acontecido no ambiente de trabalho muda a cada ano, e isso é bem visível. Mas com certeza serão ambientes mais colaborativos, onde as pessoas vão participar cada vez mais e poderão escolher como e em que horário trabalhar. Quanto mais à vontade o colaborador puder trabalhar, melhor para ele. Os pensamentos serão voltados a ambientes mais flexíveis, colaborativos e leves.

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