O balanço ainda não está 100% fechado, mas os números parciais já são suficientes para a Unimed Blumenau cravar que 2025 foi o melhor ano, em termos de finanças, da história da cooperativa médica. O faturamento vai passar de R$ 1 bilhão pela primeira vez, antecipou à coluna o diretor-executivo Vitor Hellmann em entrevista exclusiva concedida na última terça-feira (13). Até novembro, o resultado líquido acumulado era de R$ 30 milhões, um recorde.

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O desempenho foi impulsionado principalmente por um aumento de 30% de receitas absorvidas do antigo Hospital Santa Catarina, adquirido na metade de 2024 junto à comunidade luterana, até então a mantenedora da instituição. O valor do negócio não foi informado oficialmente, mas na época a coluna apurou que a transação foi fechada por R$ 225 milhões em 180 parcelas – condições suaves que não comprometeram de imediato o caixa da cooperativa.

O ano de 2025 foi o primeiro “full” da operação do hospital sob nova gestão, após o segundo semestre de 2024 ter sido reservado a adaptações e integrações de equipes e sistemas. Em julho, 12 meses depois de assumir os trabalhos, a cooperativa rebatizou a unidade, que passou oficialmente a se chamar Hospital Unimed Blumenau. Apesar da mudança, a história do antigo Hospital Santa Catarina ainda é preservada em imagens espalhadas pelos corredores.

— A aquisição do Hospital Santa Catarina foi uma virada de chave, um marco estruturante para a cooperativa — diz Hellmann.

Contador de formação, o executivo retornou à Unimed Blumenau em 2022 como diretor-executivo depois de uma primeira passagem de três anos e meio como gerente administrativo e financeiro, entre 2017 e 2020. Naquela época, a cooperativa vinha de resultados ruins. Após acumular prejuízo de R$ 20 milhões em 2021, uma nova gestão decidiu profissionalizar cargos executivos e o conselho – antes eram todos médicos.

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As mudanças no topo vieram acompanhadas também de uma diversificação dos negócios. A Unimed Blumenau apostou em uma rede própria de laboratórios, que hoje já tem sete postos de coleta na cidade, emprega cerca de 70 pessoas e processa 100 mil exames por mês, atendendo também pacientes de uma dezena de municípios vizinhos. É um braço do negócio que já atingiu o ponto de equilíbrio, diz Hellmann. A expansão dessa operação ficou em segundo plano com a aquisição do HSC e a necessidade de integrar o hospital, mas continua no radar.

Com tudo mais “ajeitado” agora, a Unimed Blumenau planeja acelerar outros projetos. Uma circulada pelo hospital revela obras de reforma em várias alas. No ano passado, a cooperativa desembolsou R$ 55 milhões. A maior parte desse aporte foi destinada a melhorias na estrutura dos quartos e centro cirúrgico, além de compra de equipamentos para a unidade, principalmente no setor de imagem.

Até março, diz Hellmann, mais quatro salas cirúrgicas devem ficar prontas, adicionando 20 novos leitos ao hospital – que passará a contar com 175 ao todo. Os passos seguintes incluem a ampliação do pronto-atendimento e melhorias na recepção.

Ainda em 2026, a Unimed Blumenau quer avançar nas obras do prédio do bairro Vila Nova, retomadas no ano passado após quase 10 anos paradas. Os últimos dois andares do prédio de 8 mil metros quadrados e oito pavimentos devem ficar prontos logo para abrigar a operadora da cooperativa.

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Também neste ano, a ideia é levar para lá os 18 leitos de internação e as cinco salas cirúrgicas do Hospital Dia, hoje instalado no prédio ao lado do Shopping Neumarkt. Essa estrutura deve ocupar dois andares. Os outros quatro pavimentos serão reservados à futura unidade materno-infantil já mapeada para o espaço.

Os planos vão exigir um aumento no volume de aportes na comparação com 2025. Para este ano, os investimentos da Unimed Blumenau, diz Hellmann, devem chegar a R$ 60 milhões.

— Tudo com caixa próprio, sem pegar empréstimos — garante o executivo.