A crise financeira do GPA, dono das redes de supermercados Pão de Açúcar e Extra, serve de alerta geral para o segmento. Entre os motivos alegados pelo grupo ao recorrer a uma recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 4,5 bilhões, estão questões inerentes à atividade, que afetam, em menor ou maior escalas, todas as empresas do ramo.
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Ao protocolar o pedido, nesta terça-feira (10), o GPA descreve uma realidade comum no varejo: alta da taxa de juros, no patamar de 15% ao ano, pressão estimulada pela concorrência e aumento de despesas financeiras, que apertam as margens operacionais. O grupo também diz enxergar uma desaceleração da atividade econômica, que reduz o consumo.
O cenário enfrentado pelo GPA faz o presidente da Associação Catarinense de Supermercados (Acats), Alexandre Simioni, pregar atenção. Para o dirigente, o setor tem necessidade de crescer para diminuir o bolo das despesas operacionais e melhorar as margens do negócio. Isso muitas vezes passa pelo investimento em novas lojas, projetadas para gerar mais receitas. Mas é preciso ter um bom planejamento para o tiro não sair pela culatra.
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Fonte: Instituto Retail Think Tank
— O setor não para de investir, é uma necessidade crescer para se manter competitivo. E muitas vezes, nessa ânsia de crescer, cresce de forma desordenada sem respeitar a geração de caixa — diz.
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A Acats, segundo o presidente, tem trabalhado na orientação da gestão financeira dos associados.
No caso do GPA, a situação de agora chama a atenção especialmente pelo tamanho do grupo. No ranking de 2025 da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a empresa aparece na quinta posição nacional em faturamento bruto (R$ 20 bilhões) e na segunda na quantidade de lojas (726). Na petição inicial, a companhia informou ter 10 centros de distribuição, mais de 37 mil funcionários diretos, mais de 3 mil fornecedores e 23 milhões de clientes mensais.
Apesar da robustez, o GPA diz estar sofrendo com alta alavancagem e estrangulamento na liquidez de curto prazo. Por isso, chegou a iniciar, em 2021, uma ampla reestruturação, que resultou no encerramento da operação de 100 hipermercados Extra – que foram vendidos, convertidos em Pão de Açúcar ou fechados em definitivo. Entre 2022 e 2025, a companhia vendeu outros ativos, apostou nas chamadas lojas de proximidade e reduziu o ritmo de novas inaugurações.
Em fato relevante divulgado ao mercado, o GPA disse que o plano de recuperação extrajudicial “representa um passo importante” para fortalecer o balanço, melhorar o perfil do endividamento e posicionar a companhia para o futuro, ao mesmo tempo que preserva o relacionamento com fornecedores e protege sua operação.
Também esclareceu que o processo foi estruturado de modo a preservar as lojas, que deverão seguir funcionando normalmente.
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