Para quem trabalha com recrutamento e seleção de pessoas, o Dia da Mentira não se resume apenas ao 1º de abril. No cotidiano dessa área de recursos humanos, farsas e informações pela metade ou distorcidas são recorrentes, ainda mais em currículos e entrevistas de emprego.

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— Acontece direto — diz Flávia Kurth, administradora com mais de 30 anos de vivência em gestão de RH e seleção executiva.

A pedido da coluna, a especialista, sócia de uma empresa que atua na área e conselheira da Associação Empresarial de Blumenau (Acib), listou as mentiras mais comuns contadas por candidatos diante de um recrutador.

1 – Experiência profissional

Uma mentira clássica. É muito comum um candidato relatar uma experiência profissional que não se comprova nem na teoria e nem na prática. Em outros casos, a pessoa até tem lastro na área, mas não com o nível de entrega prometido no currículo.

— É muito sério dizer que tem experiência em alguma coisa, principalmente quando é algo ou função que pode colocar em risco a vida de alguém — avalia Flávia.

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2 – Idade

Em um processo seletivo recente, conta Flávia, uma candidata disse ter cerca de 10 anos a menos do que realmente tinha. A farsa acabou sendo descoberta quando ela precisou cadastrar os dados pessoais na plataforma de recrutamento.

Para a especialista, pessoas principalmente mais velhas ainda têm receio de assumir a idade porque acham que isso pode ser um fator de desclassificação no processo seletivo.

— Isso já foi muito forte. As pessoas nem queriam ver o currículo de um 50+. Mas hoje esse tabu não vale mais. Não é preciso se preocupar tanto com isso — tranquiliza.

3 – Formação

Outra mentira recorrente diz respeito à formação profissional. Há muitos casos, diz Flávia, de pessoas que alegam ter uma determinada qualificação técnica, mas não possuem o diploma ou a certificação que comprove isso.

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— Quando você questiona, elas dizem que faltou entregar o TCC ou que não buscaram o certificado. Se faltou você buscar, então você não tem a certificação comprovada — pondera.

Ainda que um diploma já não tenha mais o mesmo peso em algumas funções, ele segue sendo necessário para cargos técnicos que exigem auditoria, por exemplo, como acontece em muitas indústrias.

— Essa história de que o currículo não vale mais nada não é bem assim. Se você não tem um currículo, não vai trabalhar em uma multinacional que exige certificação.

4 – Disponibilidade

Quando uma empresa que está recrutando pergunta se o candidato tem residência em alguma cidade ou disponibilidade para mudança, ela está dizendo que não tem muito tempo a perder e que precisa contratar logo. Ainda assim, muitos candidatos mentem sobre esses dois pontos.

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— A pessoa está lá em Manaus, nunca veio para Blumenau, não conhece ninguém daqui e o processo de mudança vai levar um mês. E a gente faz essa pergunta justamente quando não existe esse tempo — conta Flávia.

Neste caso, todo mundo perde tempo.

5 – “Doença ou morte” na família

Parece brincadeira, mas acontece bastante. Ainda existem candidatos que “matam” alguém da família para justificar a ausência em entrevistas de emprego ou até mesmo a falta ou o atraso no primeiro dia de trabalho.

Por envolver uma situação aparentemente séria de saúde, o argumento pode parecer perfeito e livre de questionamentos. Mas é difícil sustentar a mentira por muito tempo.

— Tivemos um caso de uma pessoa que disse que a mãe foi para o hospital. Depois a gente quis saber mais e ela gaguejou — diz Flávia, que logou percebeu a farsa.

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6 – Empregos anteriores

Ao questionarem do por quê o candidato ter sido demitido do último emprego, os recrutadores costumam ouvir uma resposta padrão: “fizeram uma reestruturação e fui desligado”. Isso até pode ter acontecido, mas muitas vezes se configura como uma meia verdade.

— As pessoas geralmente não contam a verdade, que se indispuseram, que não estavam entregando, que não tinham performance. A tal da reestruturação é uma mentira comum — analisa Flávia.

7 – Esconder da família

Pior do que mentir para um recrutador é mentir para a família. Flávia diz que já se deparou com casos em que um candidato, na hora de dar o OK para a oferta da vaga, declinou porque não contou sobre a entrevista de emprego para o parceiro ou parceira ou filhos:

— Tem essa coisa de mentir não só para o recrutador, mas para os outros, sobre o processo que ele está passando e buscando.

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