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Em casa e no escritório: pós-pandemia deve consolidar modelo híbrido de trabalho

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Por Pedro Machado
01/02/2021 - 07h39 - Atualizada em: 01/02/2021 - 07h52
Home office
Pandemia evidenciou prós e contras do distanciamento do trabalho (Foto: Suksao)

Se ainda restavam dúvidas de que o modelo funciona, a pandemia do novo coronavírus tratou de dissipá-las. Grandes empresas de tecnologia de Blumenau que há 10 meses estão com praticamente todas as equipes trabalhando de casa relataram à coluna que não houve perda de produtividade nesse período. Pelo contrário. Como o home office já era uma alternativa comum no segmento, a adaptação foi mais tranquila em comparação a outros setores da economia. Facilitou também o fato de atividades de programação e desenvolvimento, por exemplo, não exigirem a presença física dentro do escritório.

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Isso não quer dizer, no entanto, que tudo continuará assim quando todos já estiverem protegidos da Covid-19. O distanciamento provocado pela crise sanitária ajudou a evidenciar ainda mais prós (mais qualidade de vida e tempo com a família, menos gastos e tempo com deslocamentos, entre outros) e contras (dificuldades com integração entre pessoas e foco e cumprimento de horários, por exemplo) do formato e abriu caminho para a consolidação de um meio termo no futuro.

Enquanto a vacina avança, muitas empresas estudam a elaboração de modelos híbridos de trabalho. Quem quiser continuar em casa, poderá ficar. Quem optar por voltar ao escritório, será bem-vindo. E aqueles que quiserem mesclar, trabalhando alguns dias em home office e outros presencialmente, também terão essa oportunidade. Flexibilidade será a palavra de ordem.

— Estamos trabalhando ainda na política. Já temos um esboço referente a equipamentos, benefícios, inclusive de contratações de outros estados. Mas com certeza nosso intuito será manter o modelo (remoto) e agregar um ou dois dias da semana presencialmente na empresa — projeta Rafael Orsi, diretor de Desenvolvimento da Benner Sistemas.

Na AMcom todos os 350 funcionários ainda atuam de casa. A empresa já tem uma política de retorno às atividades, que inclui esse modelo híbrido. Mas, presencialmente, os colaboradores só voltarão depois de estarem vacinados, diz a CEO Andréia Rangel. A distância não tem sido problema para o rendimento da equipe.

Paradigmas de que as entregas de projetos devem ser presenciais e que as consultorias precisam acontecer ao lado do cliente foram deixadas para trás em algumas companhias. Ainda assim, o trabalho remoto tem seus desafios. 

Aspectos emocionais ligados ao isolamento e o confinamento com as famílias, muitas vezes deixando o colaborador sem um espaço adequado para trabalhar, foram barreiras comuns relatadas por empresas consultadas pela coluna. Em outras situações, funcionários contratados durante a pandemia também precisaram de um acompanhamento maior para absorver a cultura do negócio.

— Observamos que em alguns casos específicos, em quem a interação presencial facilita a troca de informações e acelera o processo de aprendizado, a produtividade é melhor quando o time compartilha o mesmo espaço físico — relata Jussara Dutra, diretora de Pessoas e Organização da Senior Sistemas.

Há outro ponto relevante a ser considerado, ligado às relações humanas. Trabalhar de casa é bom, mas depois de tanto tempo de distanciamento as pessoas vão querer manter contatos mais próximos com colegas.

Estrutura doméstica

“Despachados” para a casa, boa parte dos funcionários da área de tecnologia recebeu suporte das empresas. A maioria garantiu o básico: disponibilizou cadeiras, computadores, teclados, monitores e outros equipamentos para o home office. Algumas mantiveram benefícios associados ao trabalho presencial, como o vale-refeição. Outras foram mais além.

— Demos uma ajuda de custo durante a pandemia para as despesas extras da casa — conta Cláudia Rutzen, diretora administrativa da WK Sistemas.

A AmbevTech também deu um subsídio adicional para que funcionários bancassem gastos como internet e energia elétrica. Além disso, pensando na saúde física e psicológica da equipe, criou aulas remotas de alongamento e meditação.

— Nesse momento em que estamos todos em home office, criamos uma série de ações de apoio psicológico, jurídico e social, além de canais de suporte para quem precisar — diz Guilherme Pereira, diretor de Tecnologia da empresa, que tem 1,4 mil funcionários.

Alertas

O diretor da Fácil Informática, Carlos Pereira, acrescenta um alerta importante no debate sobre teletrabalho, principalmente no segmento tecnológico. Lembra que as empresas precisam fazer esforços extras para garantir que informações de clientes continuem sigilosas. Como garantir, por exemplo, que um colaborador não acesse redes particulares ou sites desprotegidos que podem resultar na invasão a servidores e roubo de dados?

— Deve haver investimento das empresas nesse sentido. Quem não dispõe de equipe interna capaz, deve se ancorar em consultorias — sugere.

Adaptar a política do trabalho a distância à legislação vigente, acrescenta Pereira, também não é tão simples como parece. Controlar as jornadas de trabalho e o pagamento de horas extras, considera, são dois dos grandes desafios do modelo.

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Um olhar especializado na economia e nos negócios dos setores pulsantes de Blumenau e região.

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