Marcas da antiga Chapecó Alimentos, que também foi conhecida como Frigorífico Chapecó, vão a leilão por determinação da Justiça. Fundada em 1952, a empresa chegou a ser uma das maiores do Brasil no setor de alimentos, rivalizando com Sadia e Perdigão nos anos 1990 antes de as duas se fundirem para dar origem à BRF. Mas sucumbiu a dívidas e teve a falência decretada em 2005.

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O leilão online, conduzido pelo leiloeiro Erick Soares Teles. será aberto nesta quinta-feira (21) na plataforma da Positivo Leilões. O pacote inclui 55 registros no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), entre elas as marcas Chapecó e Prenda, além de outras menores. Os ativos estão avaliados em R$ 82,6 milhões na primeira chamada, mas podem ser arrematados por R$ 24,8 milhões em uma terceira fase, caso não surjam propostas nas etapas anteriores.

Avaliado em R$ 68,7 milhões, o núcleo da marca Chapecó engloba categorias como carnes, aves, embutidos e derivados. Já a marca Prenda, estimada em R$ 13,8 milhões, inclui categorias como laticínios, pescados, alimentos industrializados e produtos básicos. A alienação foi determinada pela Vara Regional de Falências e Recuperações Judiciais e Extrajudiciais de Concórdia, onde ocorre o processo de falência.

Marcas da massa falida que vão a leilão (Foto: Reprodução)


O grande desafio, nestes casos, é mensurar a viabilidade de uma marca que, apesar de permanecer viva na memória de muita gente, está longe das prateleiras dos mercados há muitos anos. Apesar disso, há quem acredite que os ativos ainda têm valor e podem ser relançados.

No auge, a Chapecó Alimentos chegou a empregar 5 mil pessoas, ter oito fábricas, abastecer cerca de 30 mil pontos de venda no Brasil e exportar para dezenas de países. A empresa foi fundada por Plínio Arlino de Nês, falecido em 1995. O empresário chegou a ser vereador e prefeito de Chapecó e hoje dá nome ao centro de eventos da cidade.

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Nos anos 1990, a empresa chegou a patrocinar times de futebol e vôlei, além de pilotos de automobilismo, em uma estratégia de ampliação de exposição da marca. Naquela mesma década, as dívidas começaram a crescer e a empresa foi socorrida pelo BNDES, para depois ter o controle assumido pelo grupo empresarial liderado por Francisco Macri, pai do ex-presidente argentino Mauricio Macri.

No auge, empresa apostou no esporte e chegou a patrocinar pilotos de automobilismo (Foto: Memória Chapecó, Reprodução)


Uma forte crise, no entanto, levou a empresa a demitir centenas de funcionários e a interromper o pagamento de fornecedores, o que desencadeou, em 2004, um pedido de concordata, com dívidas de mais de R$ 1 bilhão. Ao decretar a falência, em 2005, a Justiça apontou sucessivos prejuízos, paralisação das atividades, perda de capacidade operacional e deterioração do patrimônio da empresa.

O processo de liquidação da massa falida da Chapecó Alimentos já movimentou mais de R$ 1,5 bilhão com a venda de ativos, tornando o caso um dos mais expressivos do país. Entre as principais operações realizadas ao longo do processo está a venda de unidades industriais da companhia para a Aurora.

Quais as maiores empresas de SC

Fonte: Anuário Valor 1000. Crédito das imagens: Divulgação e Arquivo NSC Total

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