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Kleinübing é mais uma vítima da “maldição dos ex-prefeitos” de Blumenau

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Por Pedro Machado
30/11/2020 - 12h38 - Atualizada em: 30/11/2020 - 13h52
Ex-prefeitos
Os últimos três prefeitos de Blumenau tiveram reveses eleitorais após governarem a cidade (Foto: Reprodução)

O carimbo de “ex-prefeito” no currículo está longe de indicar condição de favoritismo para quem concorre ao governo de Blumenau ou preferência do eleitor local em disputas majoritárias do Estado. Derrotado neste domingo (29) por Mário Hildebrandt (Podemos), João Paulo Kleinübing (DEM) se soma a uma lista de políticos que tentaram, após uma primeira passagem pela prefeitura, retomar o comando da cidade, mas que acabaram preteridos nas urnas posteriormente. 

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Kleinübing foi prefeito entre 2005 e 2012. Teve uma gestão marcada pela entrega de obras importantes, como a Vila Germânica, o Parque Ramiro Ruediger, a reforma do Galegão e a ampliação do Hospital Santo Antônio. No meio do caminho, ainda enfrentou a tragédia climática de 2008. Apesar da deflagração da Operação Tapete Negro no apagar das luzes do mandato, deixou o cargo bem avaliado — mais tarde teve as denúncias contra ele rejeitadas. Ainda assim, não conseguiu eleger Jean Kuhlmann (PSD) seu sucessor no pleito de 2012. Os 42.026 votos recebidos por JPK no segundo turno de 2020 ficaram bem aquém dos 75.783 conquistados em 2004 e ainda mais distantes dos 112.509 obtidos em 2008.

Curiosamente, o próprio Kleinübing já havia derrotado um ex-prefeito. Em 2008, quando a possibilidade de segundo turno se apresentou como novidade ao blumenauense, ele foi reeleito ainda no primeiro tempo da corrida eleitoral superando Décio Lima (PT), que governou a cidade entre 1997 e 2004. A exemplo de Kleinübing, Décio não elegeu Edson Adriano (PT) sucessor ao se despedir do mandato em 2004 e viu a votação encolher quando voltou a colocar o nome à disposição do eleitorado. Nas eleições de 1996 e 2000, o petista fez 68.951 e 90.805 votos, respectivamente. Em 2008 foram apenas 48.754.

A história se repete se voltarmos um pouco mais no tempo. Em 1992, Félix Theiss, que fora prefeito entre 1973 e 1977, não obteve êxito na eleição que deu novo mandato a Renato Vianna. Vianna, aliás, é uma rara exceção nessa lista. Ele já havia dirigido Blumenau entre 1977 e 1982. Antes do triunfo no início da década de 1990, no entanto, foi vítima da “maldição dos ex-prefeitos”, ficando atrás da dupla de “Vilsons” em 1988 – Souza e Kleinübing, este último o vencedor naquele ano. Em 1982, Evelásio Vieira, prefeito entre 1970 e 1973, perdeu a disputa para Dalto dos Reis.

A aparente indiferença do blumenauense àqueles que já governaram a cidade também foi vista nas eleições de dois anos atrás. Numa condição única, os últimos três prefeitos integravam chapas majoritárias que disputaram o governo do Estado. Décio Lima encabeçava a campanha do PT, Kleinübing era o vice de Gelson Merísio (à época no PSD) e Napoleão Bernardes (então no PSDB) fechou a dobradinha liderada por Mauro Mariani (MDB). Nenhuma das três candidaturas fez mais votos em Blumenau, no primeiro turno, do que o então desconhecido Carlos Moisés (PSL), impulsionado pela onda bolsonarista.

Na história recente da política local, o eleitor ignorou o saudosismo e deixou bem claro que não considera o passado uma credencial para o futuro. É um recado que não pode mais ser ignorado nas disputas que ainda estão por vir.

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