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Coronavírus

"Não conseguia levantar para ir ao banheiro", diz secretária recuperada da Covid-19

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Por Pedro Machado
04/05/2020 - 21h31 - Atualizada em: 05/05/2020 - 08h39
Patrícia Lueders
Patrícia Lueders ficou 14 dias isolada no quarto de casa (Foto: Patrick Rodrigues, BD)

Depois de 14 dias em isolamento total no quarto de casa, a secretária de Educação de Blumenau, Patrícia Lueders, afastada da prefeitura desde o dia 20 de abril, retornou nesta segunda-feira (4) ao trabalho após receber alta médica e ser considerada curada da Covid-19. À noite ela já participou da coletiva de imprensa diária concedida pelo prefeito Mario Hildebrandt e fez um breve relato do período de recuperação.

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Foram dias muito difíceis, contou Patrícia à coluna. Ela começou a sentir os sintomas em 18 de abril, um sábado. Primeiro, uma dor aguda no abdômen, que ela imaginou ser pedra no rim, seguida de fortes dores de cabeça e falta de ar. Tudo aconteceu muito rápido, lembra a secretária:

— Foi do nada. Às seis da tarde eu estava em casa bem e às nove eu já estava no hospital passando muito mal.

Mesmo sem ter feito o teste, a equipe médica que a atendeu diagnosticou na hora, pelo quadro clínico, que se tratava de Covid-19. Patrícia então fez uma bateria de exames. Uma tomografia apontou infecção pulmonar, mas ela não precisou ser internada. Ficou algumas horas em observação e foi liberada para se recuperar em casa.

A comprovação da doença veio só na quinta-feira da semana seguinte, cinco dias depois, após o segundo teste – o primeiro havia dado um falso negativo. A essa altura Patrícia já estava em tratamento. Recebeu medicação e tomou antibióticos para infecção pulmonar. Os primeiros três dias, conta, foram os mais duros. O vírus, segundo ela, “é muito cruel”.

— Não conseguia levantar para ir ao banheiro. Falta de ar para me alimentar. O mastigar dava falta de ar. E também a perda de paladar. O meu paladar voltou só depois de 13 dias — conta.

O quadro começou a melhorar a partir do quarto dia, mas ela ainda sentia dores de cabeça, cansaço e outros sintomas que lembravam uma virose. Ao longo de todo esse período, Patrícia ficou em isolamento total. A parte mais difícil, lembra, foi ficar afastada do filho, que passou alguns dias na casa da avó. Ela teve que explicar a situação ao garoto em uma chamada de vídeo pelo celular.

— Eu chorava todos os dias. Uma criança de 10 anos não vai ter maturidade para achar que não pode entrar no quarto e abraçar e beijar a mãe. Mas foi uma decisão difícil e necessária.

Decisão, aliás, que se mostrou acertada. O marido, que ficou com ela no apartamento, mas sem acesso ao quarto, fez o teste e não pegou a Covid-19. Sem contato com ninguém, ela também preservou toda a família.

Embora tenha tomado todos os cuidados, usando máscara e carregando um frasco de álcool gel na bolsa, Patrícia não tem ideia de onde pode ter contraído a Covid-19 — e assim como muita gente, não acreditava que poderia ficar doente. Isso mostra como o vírus é contagioso, como vêm alertando os especialistas. E fez dela uma incentivadora ainda maior do distanciamento social.

— Não desejo para ninguém o que passei.

Pedro Machado

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Um olhar especializado na economia e nos negócios dos setores pulsantes de Blumenau e região.

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