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Entrevista

Novo gestor do Neumarkt Blumenau sobre a pandemia: "Foi um MBA na prática"

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Por Pedro Machado
05/09/2021 - 09h06 - Atualizada em: 05/09/2021 - 19h23
Marco Aurélio Garzin, novo superintendente do Neumarkt Shopping
Marco Aurélio Garzin, novo superintendente do Neumarkt Shopping (Foto: Patrick Rodrigues)

Os 20 anos de carreira no varejo, metade deles dedicados ao segmento de shoppings centers, levaram o paulista Marco Aurélio Garzin para praticamente todos os cantos do Brasil. Faltava a região Sul. Faltava. Há pouco mais de um mês ele desembarcou em Blumenau para assumir a superintendência do Neumarkt, o primeiro centro de compras da cidade, do Vale e também do Grupo Almeida Júnior, líder de mercado no ramo em Santa Catarina.

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Graduado em administração, com pós em marketing e comunicação e dois MBAs (tendências e competitividade no varejo e gestão de negócios), Garzin chega de Brasília após passagens por empresas como Iguatemi, Organizações Paulo Octavio e Partage Shopping. Animado com o desafio, ele diz estar encantado com a região e projeta “um futuro formidável” para o Neumarkt.

Nesta entrevista à coluna, o executivo avalia os impactos da pandemia nas operações dos shoppings, as tendências deste mercado e revela que os planos de ampliação da área física do Neumarkt continuam de pé.

Os shoppings ficaram muito tempo fechados no início da pandemia. O que esse período ensinou?

A termos mais organização, prevermos cenários que até então não eram imaginados e, acima de tudo, a trabalhar com mais eficiência, com menos recursos, de forma mais estruturada, porque é o que o mercado exige. Todos os shoppings e redes estão se organizando nesse sentido. Eu costumo dizer que foi um MBA na prática para todos, da noite para o dia. Ninguém imaginava que os shoppings poderiam ficar 30, 60 e em algumas cidades até 90 dias fechados, perdendo taxas importantes de varejo. Foi uma MBA porque tivemos que atuar em todas as frentes, com lojistas, público em geral, colaboradores, com o poder público. Foi um período de grande aprendizado.

E o consumidor? O que mais mudou no comportamento?

Os shoppings estão em uma forte retomada. Os números que a Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) já vem divulgando ao mercado mostram que há um cenário de recuperação de fluxo e vendas. Isso aconteceu nos últimos três meses de uma maneira bastante significativa e a tendência é que continue no próximo quadrimestre, que vai ser o mais importante do ano com esse cenário de vacinação avançando bem. O público aprendeu a ser mais seletivo, tem mais informação, tem a disponibilidade de pesquisar em outros canais e mais iniciativa. Mas esse é um cenário que já vinha se desenrolando e que a pandemia só acelerou. Os shoppings estão preparados, aprendendo a lidar com isso. A perspectiva para o próximo quadrimestre é de incremento de receita, de fluxo, do cenário de varejo e consumo voltando à normalidade.

Alguns anos atrás algumas previsões sugeriam que os shoppings perderiam espaço e muitos fechariam diante da concorrência do e-commerce. Isso não aconteceu. O que mudou no meio do caminho?

Os shoppings não fecharão e não perderão a sua relevância. O que vai acontecer, e isso é inevitável, é que os shoppings entrarão em um ciclo de reinvenção, como já aconteceu com outros negócios. Eles serão cada vez mais protagonistas em um cenário de encontro, de lazer, entretenimento, de diversão. É nesse caminho que os shoppings seguirão nos próximos anos, e quando eu digo próximos anos, falo de um ciclo de 10, 15, 20 anos. O que vai eventualmente acontecer é mudar o formato, o mix, a destinação, mas os shoppings continuarão firmes e fortes. Agora eu estou tendo a oportunidade de liderar o Neumarkt, que está prestes a completar 30 anos. Nos próximos anos estaremos pensando, estruturando e planejando os próximos 30, pode ter certeza.

Será basicamente menos compra e mais serviço e lazer?

Eles se complementam. As compras continuarão. A gente já percebe no movimento de varejo marcas se consolidando, grandes grupos econômicos unindo forças. É inevitável que nesse cenário algumas marcas deixem de existir e outras surjam. Mas sem dúvida nenhuma a questão de entretenimento, lazer, cultura, restaurantes, locais agradáveis e pontos de encontro de reunião e de famílias serão cada vez mais fortes, constantes e presentes.

Você tem passagens por vários mercados do Brasil. Há muita diferença de um shopping em uma cidade como São Paulo para um shopping de médio porte, como Blumenau?

Eu estou aprendendo a conhecer o mercado aqui de Blumenau. Mas o que as pessoas buscam em todo lugar, e isso não está relacionado necessariamente à localização geográfica, são shoppings atrativos, organizados, com ambiente agradável, onde elas tenham marcas importantes, relevantes e aderentes ao seu momento de consumo e de vida. Eu diria que as diferenças não são tão grandes. O público que busca um shopping qualificado, com ambiente interessante, local agradável, tem o mesmo pensamento independentemente da região. E no Sul somos privilegiados. Temos pessoas educadas, com poder econômico bastante interessante. As estruturas têm que corresponder às expectativas.

O Neumarkt já tem há algum tempo planos para ampliar a área física de lojas, que acabaram sendo interrompidos pela pandemia. Como está esse projeto?

Esse plano de expansão está desenhado e não saiu do nosso radar. A pandemia postergou os investimentos para todos os grupos econômicos, ou pelo menos parte deles. Mas quero crer que em breve a gente possa anunciar boas oportunidades para o mercado aqui de Blumenau e de toda a região. O plano permanece de pé, firme, em discussão interna. É uma questão realmente de alinhamento de prazos.

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