Ao anunciar, confirmando rumores que se intensificaram nos últimos dias, o candidato a vice na chapa que disputará a reeleição ao governo de Santa Catarina neste ano, Jorginho Mello (PL) deixou um recado nem tão nas entrelinhas assim. O post nas redes sociais com o vídeo em que o governador surge ao lado do prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), tem uma legenda curta, mas simbólica.

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“A direita se uniu em Santa Catarina. Que seja exemplo para o Brasil!”.

A mensagem é direta, e com ela Jorginho apresenta a própria leitura do cenário nacional.

O presidente Lula (PT) vai tentar renovar o mandato, lidera as pesquisas e corre praticamente sozinho na raia à esquerda. Do outro lado, o desenho até agora se apresenta para uma fragmentação de candidaturas da direita.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) indicou o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), para a disputa, mas nomes como os dos governadores Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) também estão postos no tabuleiro – embora Tarcísio tenha garantido nesta quinta-feira (22) que disputará a reeleição em São Paulo.

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Com o movimento, Jorginho sugere que o Estado poderia indicar o caminho para vencer Lula no plano nacional.

“Santa Catarina mais uma vez sai na frente, unindo as forças da direita. Todo mundo trabalhando junto”, destacou no vídeo.

A confirmação de Adriano, por outro lado, provoca uma reviravolta no xadrez inicialmente imaginado pelo governador, que chegou a afirmar que a vaga de vice ficaria com o MDB.

Ao trazer o Novo para a chapa, Jorginho ataca em múltiplas frentes. De um lado, contém uma possível “ameaça” de uma liderança jovem, reeleito prefeito em primeiro turno do maior colégio eleitoral catarinense. Já Adriano terá a oportunidade de se projetar estadualmente, colocando-se como um nome natural para a sucessão em 2030. A parceria parece funcionar bem para ambos.

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Do outro lado, Jorginho, com a jogada, também elimina um potencial parceiro do PSD de João Rodrigues, pré-candidato declarado ao governo, na majoritária. Ao mesmo tempo, deixa à deriva o MDB e o Progressistas, rivais históricos em Santa Catarina, que no cenário de hoje não teriam espaço nem mesmo para a disputa ao Senado – que caminha para uma composição “puro sangue” com a dupla Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL), praticamente excluindo o senador Esperidião Amin (PP).