Uma proposta levantada pela Secretaria da Defesa Civil pode mudar a forma como Blumenau contabiliza as enchentes que atingem a cidade. O secretário Carlos Menestrina revelou, durante passagem pela Câmara de Vereadores na última semana, a ideia de criar um grande parque alagável no entorno da Rua 1º de Janeiro, no bairro Itoupava Norte. A região é conhecida por ser a primeira a inundar em casos de fortes chuvas.
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Esse parque teria uma ampla área verde e funcionaria como uma “esponja”, absorvendo a água e minimizando os alagamentos. Há um projeto semelhante sendo desenvolvido em Curitiba (PR) que serve de inspiração, diz Menestrina. Com clima bom, a estrutura serviria também como novo espaço de lazer na região.
Implantado, o parque mudaria a dinâmica de registros de alagamentos. Pelo atual mapa de inundações da cidade, basta o rio Itajaí-Açu chegar a 7,40 metros para a primeira casa na Rua São Rafael, na Itoupava Norte, ser atingida. Neste nível, o cenário geral já é de alerta – o município considera uma enchente oficial quando o rio chega a 8 metros. Desapropriando todo o entorno, não haveria imóveis ocupados afetados. Para Menestrina, isso poderia elevar em até um metro a cota mínima considerada para atestar o fenômeno, que subiria para 9 metros.
— A gente resolveria dois problemas: criaríamos uma área alagável, uma esponja, e permitiríamos que essas pessoas não estivessem vulneráveis a enchentes — imagina Menestrina.
Existe esse apelo ambiental e de segurança por trás do plano – principalmente por despovoar uma área sensível às inundações –, mas também uma lógica racional financeira. O protocolo de proteção prevê a ativação de abrigos e mobilização de estruturas públicas para respostas aos desastres naturais. Além disso, quando a água baixa, há novos custos de recuperação e manutenção das áreas atingidas.
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— Não é só o que vai se gastar agora, mas o que vai se economizar lá na frente — projeta o secretário.
A Defesa Civil de Blumenau já fez um primeiro levantamento da área. Menestrina calcula, inicialmente, que seriam necessárias cerca de 90 desapropriações. Ainda não se sabe quanto isso custaria. Mas o secretário acredita que a solução seria mais barata do que construir um dique na região – por estarem mais suscetíveis às inundações, esses imóveis teriam menor valor de mercado.
Já houve conversas com o gabinete do prefeito sobre o assunto. Agora, a Defesa Civil deve intensificar a discussão com a secretaria de Planejamento Urbano, para avançar sobre a viabilidade do projeto.
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É a quantidade de enchentes já registradas ao longo dos 175 anos de Blumenau.

