Em Itajaí, todo mundo – ou quase – conhece o Tala. O que talvez muitos não saibam é que um dos botecos mais famosos da cidade guarda relação com outro negócio, que surgiu de maneira inusitada. Nicolau Franzoi Neto, o Tala, era cliente de um bar que estava quebrado. Decidiu, então, assumir o ponto e complementar o cardápio com uma receita artesanal e despretensiosa de batida de maracujá. O ano era 1993. Ele não imaginava, mas estava plantando a semente para uma nova empresa que hoje fatura R$ 18 milhões.

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A freguesia aprovou a bebida, que começou a virar sinônimo de “esquenta”. O boca a boca funcionou, os pedidos aumentaram, os clientes queriam levar para a casa – e então os filhos de Tala notaram que estavam diante de uma oportunidade. Um deles, Andro Franzoi, também é dono de churrascaria e passou a servir a batida no estabelecimento. Isso ajudou a confirmar o potencial da bebida, contou ele em entrevista à coluna.

A Maracutala – propícia junção entre maracujá e Tala – nasceu em 2014. No início, Andro começou a garimpar pequenos comércios, bares e conveniências de Itajaí, mais tarde expandindo também para cidades vizinhas, como Navegantes, Penha e Piçarras. Para facilitar a entrada no mercado, a receita teve o teor alcóolico diminuído para 13% – a “original”, feita pelo Tala no fogão do bar, tinha entre 25% e 30% – e o prazo de validade também precisou ser ampliado.

— Quando vimos, já estávamos vendendo 5 mil garrafas por mês. Foi o consumidor que fez nossa marca evoluir — avalia Andro.

O negócio começou a ganhar ainda mais corpo no pós-pandemia e uma consultoria foi contratada para estruturar o crescimento. O portfólio ganhou novos sabores – morango, côco, chocolate, chocolate branco, doce de leite e paçoca – e evoluiu para uma linha de licores. Hoje já são mais de 500 mil garrafas produzidas e distribuídas em 3 mil clientes, entre eles grandes redes varejistas da região Sul do país.

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A fábrica de mil metros quadrados, instalada em um galpão alugado, emprega em torno de 20 pessoas, mas já está ficando pequena. Dentro de três anos, estima Andro, a Maracutala quer ter um prédio próprio para suportar o aumento da demanda. A empresa está começando a entrar em novos mercados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás e prepara a diversificação do portfólio, com novos sabores de licor – um limoncello deve ser lançado em breve –, vinho branco gaseificado e chá gelado.

 — A geração Z bebe menos, pede baixo teor de açúcar e menos teor alcoólico. Já está em testes essa linha de chá — diz Andro.

Com 25 vendedores representantes – número que logo deve ser ampliado –, a empresa projeta superar R$ 20 milhões em faturamento em 2026. A Maracutala escalonou o produto, mas ele ainda tem uma “pegada artesanal”, garante o fundador.