A Spin lançou na quarta-feira à noite sua operação em Blumenau (o escritório fica na Offcina Coworking), mas os planos de expansão não param por aí. Criada em outubro do ano passado em Jaraguá do Sul, a aceleradora de startups já está em Joinville e confirmou a abertura, para 2019, de unidades em Curitiba e São Paulo.
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A ampliação da estrutura é uma boa notícia porque leva a rede de contatos da plataforma a outros mercados e abre um leque maior de oportunidades para startups blumenauenses. Isso porque, com a chegada da Spin, elas têm a possibilidade de passar por ciclos de aceleração que incluem mentorias e possíveis aportes financeiros de investidores para fazer o negócio deslanchar.
Em Blumenau, a Spin não vai fugir de suas origens. A exemplo do que acontece em Jaraguá, concentrará esforços em identificar soluções tecnológicas propostas por startups que possam ajudar setores da indústria a dinamizar a gestão – ou até mesmo a resolver problemas do dia a dia. Ganham mais pontos aquelas que forem identificadas com maior potencial de crescimento.
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É um jogo de ganha-ganha: por serem pequenas, startups têm mais agilidade para buscar e testar essas soluções, enquanto as indústrias não precisam desviar seu foco do que realmente importa, que é a operação do negócio. Sócio-fundador da Spin, Benyamin Fard dá detalhes da proposta nesta entrevista.
O modelo de aceleração da Spin é inspirado no que existe no Vale do Silício. Como isso vai ser aplicado aqui?
Eu sou o head (na linguagem corporativa, é o profissional que lidera uma área ou projeto) de operações do Instituto de Pesquisas de Stanford no Brasil. A gente traz parte da metodologia de lá e parte de metodologias de outras aceleradoras do Vale do Silício. Temos a tropicalização disso para o Brasil, regionalizado para nós. De certa forma, é uma metodologia exclusiva. Ela é apoiada em muito do que se faz em Stanford, voltada a startups e inovação aberta. Acabamos de lançar uma plataforma (a Spin Academy) que dá apoio para aceleração e tem uma área aberta para quem quiser entrar e experimentar essa nossa metodologia. É um processo de funil de entrada de startups que podem ser aceleradas.
Que tipo de adaptação será feita para a realidade regional aqui do Vale?
Nosso viés é indústria e a gente vem com a mesma pegada de Jaraguá do Sul e Joinville. A ideia é entender as potencialidades da cidade junto com as startups e indústrias e maximizá-las. Não queremos mudar o que já existe de vocação ou a pegada empreendedora característica de Blumenau, que é referência para o Estado em termos de engajamento e referência. Queremos contribuir, ajudar a acelerar esse ecossistema que já existe. Essencialmente é potencializar o que Blumenau já tem de melhor. Há um elemento superimportante: trabalhamos com startups, indústrias e investidores de todos os cantos. Então não estamos restritos. Startups de Jaraguá podem vir atender Blumenau. Essa rede que está se expandindo tem esse objetivo de conectar demandas de indústrias, oportunidades de startups e investidores. A ideia é trazer investidores para Blumenau e demandas de indústrias de outras cidades para startups de Blumenau resolverem. É essa conexão, essa rede que a Spin se propõe a trazer para fortalecer o ecossistema.
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Que característica ou tipo de projeto uma startup precisa apresentar para ter mais chance de passar por um processo de aceleração?
Na nossa tese, temos alguns critérios. A startup precisa ter no mínimo um CNPJ, um cliente e um time. E dedicação integral ou praticamente integral ao negócio. Isso facilita muito a conexão delas com a indústria e os investidores. Basicamente, a startup tem que estar em operação, não pode estar só no campo das ideias. Para o pessoal que está em fase de protótipo, a gente recomenda fortemente que entre na nossa plataforma online, se cadastre e acesse o nosso conteúdo de vídeos, artigos, e-books. Há toda uma trilha de aprendizado para ser acelerado pela Spin, ou por qualquer outra aceleradora. Esse conteúdo é gratuito.
Vocês começam com foco em soluções para a indústria. Estudam abrir esse leque para outros segmentos?
Sim. Tem duas verticais que trabalhamos além da indústria: saúde, que é uma área forte de Blumenau, e as fintechs, que de alguma forma também afetam a indústria. Há outras áreas que estudamos que são sinérgicas, mas nosso foco para Jaraguá, Joinville e Blumenau é indústria. Compras, vendas, marketing, logística, RH, financeiro, tudo que rodeia a cadeia produtiva da indústria nos interessa.
A rede de investidores que estará conectada à Spin em Blumenau já está montada?
Ainda não. O que temos acoplado à Spin são family offices que já estão investindo em startups. Estamos estruturando uma rede de investidores. Mas isso é muito fruto da oferta e da demanda que aparecem da própria operação. Estamos nos estruturando para ter o nosso primeiro fundo. Como a gente tem conexões internacionais, queremos fazer o acoplamento desse nosso fundo com investidores estrangeiros também, mas tem muito dinheiro no Brasil que já estamos conectando para vir para cá.
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Há algum piso ou teto de investimento que essas startups podem receber?
As startups com melhor performance têm cheques de R$ 150 mil a R$ 350 mil para investimento pela Spin e cheques maiores de até R$ 1 milhão de investidores parceiros. A partir daí a gente já conduz para investidores com estruturação mais sólida, fundos vocacionados para determinados setores. Temos parceiros que investem R$ 2 milhões, R$ 3 milhões, mas têm critérios mais rigorosos. Nosso papel como aceleradora é ajudar nesses primeiros passos e conduzir as startups com melhor performance. O melhor para nós é essa diluição de risco, muita gente vindo e acreditando junto. Fazemos o papel de curador, aplicando metodologia e entregando para o mercado aquelas startups que são melhores para ser investidas. A gente literalmente conduz pela mão.
