A decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) que cancelou a decretação de falência da Teka dissipou uma nuvem que pairava sobre a empresa. Desde que o juiz do processo da recuperação judicial converteu o status jurídico, em fevereiro do ano passado, a tradicional fabricante de artigos de cama, mesa e banho nunca deixou de operar e nem sequer esteve perto de fechar as portas para valer. Mas a pendência envolvendo o caso – em março, pouco depois do despacho em primeira instância, o próprio TJ-SC suspendeu provisoriamente a decisão até análise final do colegiado do tribunal – provocava insegurança jurídica, agora afastada.

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— Hoje eu vim falar de uma empresa que está de pé, operando e olhando para frente — disse o presidente Rogério Marques ao abrir uma entrevista a jornalistas na manhã desta quarta-feira (10).

Como é a fábrica da Teka por dentro

Uma nova auditoria no caixa da Teka, agora sob a tutela da Grant Thonrton, acabou revertendo a situação. A análise considerou que a empresa tem condições operacionais e financeiras de honrar com seus compromissos e seguir em frente. É uma reviravolta em relação à base que sustentou a decisão judicial que havia convertido a recuperação judicial em falência continuada. Naquela ocasião, o juiz do caso se sustentou em números que sugeriam o contrário – justamente um suposto quadro de insolvência.

Na linha do balanço financeiro, a dívida da Teka parece impagável. Só em tributos federais, são R$ 2,3 bilhões. De ICMS, deve outros R$ 138 milhões. A empresa, porém, tem recorrido a regularizações fiscais para abater juros e multas dessa fatura. Diz que o passivo tributário, por exemplo, foi reduzido para R$ 226 milhões. E que há um acordo trabalhista na ordem de R$ 70 milhões que beneficiou cerca de 2,3 mil trabalhadores em 2025.

— Nunca existiu prova de inviabilidade porque a Teka não é inviável — sustenta Marques.

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A Teka também diz ser credora líquida da União e que tem direito a receber um crédito de R$ 500 milhões já reconhecido por decisão judicial definitiva – um valor superior à dívida federal já renegociada. Segundo Marques, a decisão que anula a falência e faz com que a empresa retome o status de recuperação judicial deve liberar R$ 18 milhões que já estão depositados em contas vinculadas ao processo. É um dinheiro que será usado para pagar direitos trabalhistas de antigos e atuais funcionários.

Investimentos

De acordo com Marques, a nova gestão da Teka está investindo R$ 37,5 milhões para modernizar as fábricas de Blumenau e Artur Nogueira (SP), que juntas empregam cerca de 1,8 mil funcionários. Na unidade paulista, a empresa ampliou a capacidade de produção em 44%, com equipamentos novos. Na matriz, o foco foi em ganho de eficiência e qualidade.

— Estamos reequipando a empresa para recuperar o tempo perdido nesses 14 anos (de processo de recuperação judicial) — justifica o presidente.

Em maio, a empresa também começou a rodar um novo centro de distribuição em Nova Odessa (SP), localizado a cerca de 30 quilômetros da fábrica de Artur Nogueira. Além da armazenagem, a estrutura, que Marques chama de “eficiência logística convertida em margem”, facilita a distribuição no mercado paulista, um dos alvos de expansão no varejo. Nesta quarta (10), a Teka inaugurou uma loja conceito em um outlet de Itupeva (SP). Há pelo menos mais cinco unidades no radar, revela o presidente.

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Em outra frente, a empresa, que já é líder no mercado de toalhas para hotéis, está apostando em produtos hospitalares. A crise global com a guerra no Irã forçou a Teka a fazer um ajuste de rota para 2026, ano em que a empresa planejava crescer também com alguns produtos importados naquilo que excederia a capacidade própria – o conflito acabou elevando os preços. Agora, o foco está em expandir com a produção própria, diz Marques.

— Hoje estamos aptos a participar das maiores redes hospitalares do país. É um mercado grande, exigente e recorrente, que valoriza a qualidade do produto Teka.

Mesmo recalculando a estratégia, a empresa projeta crescimento expressivo. Faturou R$ 476 milhões em 2025 e mira superar os R$ 550 milhões neste ano em um “cenário conservador”, aposta o presidente.

Novo plano de recuperação judicial

A Teka protocolou em dezembro um novo plano de recuperação judicial e espera que em breve uma assembleia seja convocada pela Justiça para apresentação dos novos termos de reestruturação. Nos autos do processo, já há credores cobrando por isso. Segundo o presidente, a companhia está em “tratativas avançadas” neste sentido. Além da reestruturação do passivo fiscal e trabalhista, o plano deve contemplar a venda de imóveis da empresa hoje desativados, como o prédio da antiga fábrica de Indaial. 

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