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Crise

Bolsonaro afronta a ciência e quer um capacho na saúde 

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Por Renato Igor
15/05/2020 - 11h56 - Atualizada em: 15/05/2020 - 12h33
(Foto: Marcelo Casal Jr / Agência Brasil)
(Foto: Marcelo Casal Jr / Agência Brasil)

Procura-se um capacho. É isso que o presidente Jair Bolsonaro deseja para o próximo ministro da Saúde. A queda de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, ambos médicos, da pasta da saúde, representa a derrota da ciência e da medicina baseada em evidência. Claro que tudo é muito novo em se tratando de Covid-19, não há solução pronta e há muita dúvida no ar. Não há nem remédio e vacina. O mundo luta com as armas que possui. O isolamento social é um instrumento eficaz para conter o avanço do vírus. Tenho escrito aqui que, mesmo sendo a medida correta, é difícil de ser praticada por quem tem fome, perdeu emprego, precisa buscar dinheiro e trabalhar para alimentar a sua família e vive em condições adversas. Mas é o remédio amargo. Entendo perfeitamente a angústia e o sofrimento de quem precisa trabalhar, a maioria da população.

Leia mais: Nelson Teich pede exoneração e deixa o Ministério da Saúde

Teich defendeu isolamento social e nunca endossou a cloroquina. O mesmo ocorreu com Mandetta. Ambos são médicos e sabem que a medicina é baseada em evidências. Aliás, o debate em torno dessa droga mostra o nível doentio polarizado da sociedade brasileira. O fato não importa. As evidências não importam. As torcidas tem a opinião sobre o tema baseada no emissor da versão. Dependendo de onde vem, está certo ou errado, sou a favor ou contra. Isso é doentio e esse nível e intensidade da discussão só ocorrem no Brasil.

Já temos uma doença que avança no país, as mortes que sobem, a economia que afunda e o desemprego crescente. O que se esperava de um líder era, desde o início, diante de um problema real, ter o diagnóstico da situação, chamar os poderes, prefeitos e governadores e articular um planejamento estratégico de enfrentamento. Nada disso ocorreu. Nem se tentou. O presidente pensa em 2022 e a estratégia é responsabilizar prefeitos e governadores pela crise e desemprego.

O próximo ministro será um capacho. Teich defendeu o que se espera, um plano de retomada segura e tratar o Brasil de forma diferente de acordo com as regiões e suas características. Nem isso foi o suficiente para agradar o Planalto. Pobre Brasil.

Renato Igor

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Apresentador e comentarista na CBN Diário e NSC TV, Renato Igor faz análises e traz as notícias sobre o que acontece em Santa Catarina e o que influencia os rumos do Estado.

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