O Centro de Florianópolis vive uma crise multifatorial. O movimento de outrora já não existe. Centros comerciais amargam salas vazias, o fluxo nas ruas diminuiu drasticamente e as placas de “aluga-se” se multiplicam em vitrines e fachadas.
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Este colunista circulou recentemente pelo Pórtico Centro Comercial, na Rua Felipe Schmidt, e deu dó ver corredores desertos, salas fechadas e as poucas abertas à espera de raros clientes.
FOTOS: As mudanças em pontos do Centro de Florianópolis previstas em projeto dinamarquês
Como escrevi no início deste texto, as causas são diversas. No passado, quem buscava produtos ou serviços tinha na região central praticamente a única opção da cidade. A pandemia trouxe um baque profundo: além da queda brusca no faturamento, descobriu-se que era possível trabalhar de casa — e o home office veio para ficar. Some-se a isso a mudança de horário do serviço público, o fortalecimento dos bairros, que ganharam suas próprias centralidades e ampliaram a oferta de comércio e serviços — hoje encontra-se quase tudo fora do Centro, sem necessidade de deslocamento. Junta-se ainda a degradação urbana e a sensação de insegurança associada ao aumento da população em situação de rua. Deu no que deu.
Apesar do cenário desolador, há abnegados que resistem e iniciativas relevantes que reacendem a esperança de um futuro melhor. Um exemplo é o projeto bancado pela ACIF e pela CDL Florianópolis, que contrataram o escritório do renomado arquiteto dinamarquês Jan Gehl. A proposta aposta na revitalização de áreas estratégicas, na reconexão da cidade com o mar e em um novo dinamismo urbano — a chamada “dinamarquização” do Centro.
Outro caminho é o retrofit, que permite a reconversão de imóveis comerciais em residenciais, trazendo moradores de volta ao coração da cidade. Há ainda o vigor do Centro Leste e o trabalho persistente dos voluntários da Associação Praça Olívio Amorim (APROA), turma que insiste em pensar melhorias e ocupar os espaços públicos com vida e pertencimento.
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São essas pessoas e entidades que mantêm acesa a esperança de que o Centro de Florianópolis, ainda que não volte a ser exatamente como antes, possa reencontrar vitalidade e dias melhores no futuro.








