Em toda discussão sobre qualquer plano de mobilidade para a Grande Florianópolis, o ceticismo é presença certa. As pessoas não acreditam mais em nada — e isso se justifica. Foram anos de promessas que jamais saíram do papel: ônibus rápido (BRT), corredores exclusivos, metrô de superfície, transporte marítimo e até teleférico. Nada aconteceu. Nada saiu da maquete e do PowerPoint.
Continua depois da publicidade
Mas por que a retomada do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (Plamus/2015), agora com dados atualizados, pode dar certo? Talvez seja melhor inverter a pergunta para encontrar a resposta: por que o Plamus não aconteceu?
Projeção com imagens geradas por Inteligência Artificial (IA) com as diretrizes existentes para o futuro sistema de transporte coletivo multimodal e integrado da Grande Florianópolis:
O Plamus nasceu de cima para baixo. À época, o governo estadual encomendou o estudo e tentou implementá-lo com pouco diálogo com os municípios, que acabaram resistindo. Agora, segundo explica o superintendente da Superintendência de Desenvolvimento das Regiões Metropolitanas de Santa Catarina (Sudesc), João Luiz Demantova, o Estado apresenta as diretrizes, mas os municípios passam a participar ativamente da construção do modelo.
Estão previstas audiências públicas — instrumento fundamental para garantir espaço à população no debate e na formulação das decisões.
Demantova, que esteve à frente do Promobis, afirma que o modelo inspiracional é o Projeto de Mobilidade Integrada Sustentável da Região da Foz do Rio Itajaí, baseado em termos de cooperação por meio de consórcios intermunicipais.
Continua depois da publicidade
A lógica agora é outra: o governo lança a ideia com diretrizes e pilares; os municípios debatem amplamente em audiências públicas e nas câmaras de vereadores. O Plamus falhou justamente por ter sido imposto de cima para baixo.
O novo sistema, ao contrário, nasce de baixo para cima, por meio dos consórcios intermunicipais. Sabe-se bem que, na política, alinhamento é condição essencial para que questões complexas avancem.
Em cinco anos, com recursos do Banco Mundial, a Sudesc acredita que o sistema já estará em operação, com faixas exclusivas de ônibus na BR-101 e na Via Expressa, intermodalidade, integração tarifária e acessibilidade.
Não sou a personagem do genial Luis Fernando Verissimo, a Velhinha de Taubaté, mas acredito.
Vamos cobrar.
Continua depois da publicidade
Leia Mais:
Verão em Floripa, apesar de tudo, vale a pena
Reserva irregular e preços abusivos estão entre as principais denúncias nas praias de Florianópolis
Exclusivo: Grande Florianópolis terá novo plano de mobilidade com transporte integrado
Ambulantes ilegais em praia de Florianópolis vão pro mar para fugir da fiscalização



