A Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF) divulgou uma nota nesta segunda-feira (1) em que critica a construção de um monumento em homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) dentro da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A entidade “considera inadequado que uma universidade pública, mantida pelos impostos pagos por toda a população, destine espaço permanente para homenagear um movimento que, ao longo de sua trajetória, esteve envolvido em intensos debates políticos e ideológicos e que não representa o conjunto da sociedade brasileira”.
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A homenagem ao MST é uma iniciativa do Projeto Pontes de Esperança, construído em parceria entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e movimentos sociais populares, e celebra os 41 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra em Santa Catarina.
O monumento será construído coletivamente, no lugar da antiga concha acústica da UFSC.
Leia a nota da ACIF:
A ACIF manifesta sua profunda preocupação e discordância em relação à construção de um monumento em homenagem aos 41 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) dentro da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), iniciativa realizada em parceria com instituições públicas de ensino e movimentos sociais.
A ACIF respeita o direito à livre manifestação, à organização social e à diversidade de opiniões presentes em uma sociedade democrática. No entanto, considera inadequado que uma universidade pública, mantida pelos impostos pagos por toda a população, destine espaço permanente para homenagear um movimento que, ao longo de sua trajetória, esteve envolvido em intensos debates políticos e ideológicos e que não representa o conjunto da sociedade brasileira.
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A universidade deve ser um ambiente de conhecimento, pesquisa, inovação e formação de pensamento crítico, aberto a todas as correntes de ideias, sem privilegiar ou institucionalizar narrativas vinculadas a grupos específicos. A instalação de um monumento permanente em homenagem a um movimento político-social rompe esse princípio de equilíbrio e reforça uma vinculação que não condiz com a missão de neutralidade institucional esperada de uma instituição pública.
Causa indignação que uma estrutura localizada em uma das principais universidades do país seja destinada à celebração de uma organização cuja atuação desperta divergências legítimas na sociedade, enquanto tantas demandas acadêmicas, científicas e estruturais seguem exigindo atenção e investimentos prioritários.
A revitalização de espaços universitários é sempre bem-vinda quando voltada ao interesse coletivo, à produção de conhecimento, à cultura e à convivência plural. Contudo, transformar um espaço público e permanente em símbolo de uma única corrente de pensamento representa uma decisão que ultrapassa o campo cultural e ingressa no terreno da militância institucional.
A ACIF reafirma sua defesa da livre iniciativa, da segurança jurídica, do respeito à propriedade privada, do pluralismo e do fortalecimento das instituições. Entendemos que universidades públicas devem ser locais de debate aberto e democrático, jamais de consagração oficial de movimentos ou ideologias específicas.
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Florianópolis espera de suas instituições espaços que unam, acolham e promovam o conhecimento. Não espaços que aprofundem divisões ou transmitam a impressão de que uma universidade pública possui lado político.

