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    Morte de turista baleado em comunidade mostra o lado B de Florianópolis

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    Por Renato Igor
    06/01/2020 - 18h34 - Atualizada em: 07/01/2020 - 15h23
    Comunidade do Siri, nos Ingleses, é retrato da ocupação desordenada (Foto: divulgação)
    Comunidade do Siri, nos Ingleses, é retrato da ocupação desordenada (Foto: divulgação)

    A morte do turista gaúcho na favela do Siri, nos Ingleses, escancara uma realidade. Existe uma Florianópolis que não é a dos beach clubs, casas noturnas sofisticadas, carrões ou da majestosa Ponte Hercílio Luz, agora reaberta. É a Florianópolis sem lei. Uma cidade que cresceu sem o olhar do planejamento e, tampouco, da permissão do poder público. Ela surgiu da omissão das gestões municipais.

    Quem era o turista gaúcho morto em comunidade de Florianópolis

    Administrações que permitiram construções irregulares em áreas de proteção ambiental, ruas abertas sem nenhuma autorização, ausência de saneamento, gatos de energia e ausência do Estado. Na falta do poder público, o crime toma conta. Siri, Papaquara e parte do Rio Vermelho que o digam, embora estatisticamente com redução de criminalidade.

    Três turistas foram comprar maconha no Siri. Foram confundidos com inimigos e, por isso, baleados. Um morreu por engano. Em 2017, uma turista gaúcha também foi morta porque o carro em que estava entrou enganado numa rua no Papaquara, também no norte da Ilha de SC.

    O que mudou de lá para cá nesses locais? Conseguimos estancar as construções irregulares? Mas que cidade é essa que ostenta indicadores de qualidade de vida e que alguém pode ser morto por pegar uma rua errada? Que cidade é essa em que alguém, mesmo indo comprar algo proibido (maconha), o que é errado, é morto após ser confundido com um traficante rival?

    O Ministério Público de Santa Catarina já apurou, em amplo trabalho de investigação, que o crime organizado está por trás de construções irregulares e abertura de ruas clandestinas nos Ingleses. A prefeitura anunciou um sistema de monitoramento via satélite que identifica construções irregulares com atualização mensal. É pouco.

    Existe tecnologia que atualiza o sistema a cada 48 horas. Embora existam ações demolitórias da prefeitura, a sensação que dá é de enxugamento de gelo. Da mesma forma que é preciso conter o avanço da favelização da cidade, é preciso, também, oferecer moradia digna para a população da baixa renda.

    E, hoje, não há nenhum projeto em andamento neste sentido na cidade, o que aumenta o desafio, porque Florianópolis continua atraindo cada vez mais gente de baixa renda e sem recursos para adquirir um imóvel ou pagar um aluguel de imóvel legalizado.

    Assunto que precisa estar na pauta das eleições de 2020.

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