É escandalosa a diferença entre o que Santa Catarina arrecada para União e o que recebe de volta. No histórico de 2021 a 2025, o estado contribuiu com cerca de R$ 590 bilhões para os cofres públicos federais, mas recebeu apenas R$ 83.4 bilhões em repasses, o equivalente a 14% do total arrecadado.
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Mesmo sendo um dos estados que mais arrecada, Santa Catarina está entre os três que menos recebe repasse federal. Se levarmos em consideração a Região Sul, a média entre Paraná e Rio Grande do Sul é de 27%. O contraste é ainda maior quando comparado a Estados do nordeste, como, por exemplo, o Maranhão, que arrecadou R$ 66.8 bilhões e recebeu R$ 171.3 bilhões, ou seja, 256.4% do que contribuiu.
Colapso na BR-101:
Segundo o presidente da Fetrancesc, Dagnor Schneider, essa disparidade ajuda a explicar os índices preocupantes de segurança viária. Dados da Polícia Rodoviária Federal mostram que Santa Catarina registrou, em 2025, 340 acidentes por 100 quilômetros de rodovia federal, enquanto a média nacional foi de 108. O mesmo padrão se repete no número de óbitos. Enquanto no território nacional foram registradas 18 mortes, aqui foram 9, ou seja, 100% a mais que a taxa nacional.
Além do impacto social, os acidentes geram custos bilionários. O levantamento feito a partir do estudo da Pesquisa CNT de Rodovias 2025, com o cruzamento de dados da PRF e sistematizado pelo Observatório Fetrancesc, aponta que o custo total dos acidentes rodoviários em Santa Catarina no ano passado ultrapassou a casa dos 3 bilhões. Valor que poderia ter sido investido em infraestrutura, para recuperação da malha viária.
“Com frota crescente, malha limitada e índices de acidentes muito acima da média nacional, o desafio catarinense vai além do gargalo logístico. Trata-se de uma questão de perda de vidas e competitividade. Sem um repasse proporcional, o déficit em obras estruturantes tende a se ampliar”, avalia Schneider.
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Enquanto isso, a otimização do contrato para a BR-101 Norte está sem acordo, a BR-282 sem nenhuma expectativa de duplicação e a BR-470 está em obras intermináveis para dobrar de tamanho.
O Pacto Federativo para Santa Catarina é uma via de mão única. Vai muito e volta pouco.
União
O Governo Federal afirma que a conta considera apenas transferências diretas a estados e municípios e ignora recursos pagos diretamente à população, como benefícios previdenciários, programas sociais e trabalhistas, além de gastos federais executados no próprio estado. O documento aponta que R$ 45,4 bilhões foram transferidos diretamente às pessoas em Santa Catarina e que R$ 3,6 bilhões foram repassados a estados e municípios apenas em 2026, até fevereiro.
O governo federal não contesta o volume total arrecadado citado pela Fetrancesc, mas sustenta que o percentual de retorno divulgado distorce o debate ao desconsiderar o conjunto mais amplo de despesas federais realizadas no território catarinense.







