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O cérebro de um time

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Roberto
Por Roberto Alves
02/10/2021 - 07h00
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O tubaronense Zenon Farias, vestiu a camisa de grandes clubes (Foto: Reprodução)

Quando garoto, eu batia uma bolinha sem muita pretensão e até diziam que eu jogava direitinho. Onde? No meio-campo, posição que chamavam de armador da equipe, o cara que ia colocar a bola para os atacantes fazerem os gols. Na época, a figura mais importante de um time era o número 5, chamado de centro médio. Como exemplos distante, cito Galego Boos (Avaí), Procópio (Figueirense), Danilo Alvim (Vasco), Nelinho (Paula Ramos), Bolognini (Carlos Renaux), Zito (Santos) e por aí vai.

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Pelé popularizou e deu importância mundial à camisa 10, até então um simples meia-esquerda. Hoje, um esquema com três ou quatro homens no meio-campo, o número 10 sempre dará as cartas. Depois, passaram a chamá-lo de ponta de lança, e aí lembro do Fernandes, do Figueirense, Rivelino, Cavallazi, do Avaí, e tantos outros que vimos jogar. Não vale lembrar de Pelé. 

O futebol mudou. Criaram esquemas mirabolantes, expressões que confundem a cabeça do torcedor, tiraram o brilho e a beleza do jogo. Foi-se a criatividade, o drible, os verdadeiros ponteiros, o centroavante nato e o grande pensador do jogo, o camisa 10 armador. Esta figura atualmente parece não existir mais no futebol. Zico, um misto de atacante, armador, cérebro e artilheiro, talvez tenha sido um dos últimos a usar a posição de forma extraordinária. Gerson, que jogava com a número 8, o Canhota de Ouro? Sim, era demais. 

Hoje, não temos este jogador. Propositadamente não citei um craque catarinense que representou a essência maior da qualidade coma bola nos pés. O tubaronense Zenon Farias, cuja carreira todos conhecem, foi lembrado para a Copa do Mundo de 1970 e acabou não indo ao México. Sabe por quê?

O craque do João

Lembro Zenon porque foi um dos melhores que vi jogar. Calmo, tranquilo, cabeça erguida, visão de jogo fora do comum, comandava com muita qualidade o meio-campo da equipe em que atuava. Fez isso por onde passou. Era craque. Em 1969, o técnico João Saldanha preparava a Seleção Brasileira para a Copa do México e perguntou por Zenon. 

Revelou isso em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Levaria Zenon, não fosse tirado da seleção por uma crítica que fez a um comentário do então presidente Emílio Garrastazul Médice. João gostava do futebol de qualidade do lançador, que fazia os ponteiros e o time inteiro jogar.

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Zenon com a camisa da Seleção Brasileira
(Foto: )

Acabou

Essa figura do meia que bota a bola onde quer não existe mais no nosso futebol. Tenho insistido nisso em meus comentários. Sinto falta da habilidade no setor de meio, da qualidade.

Lembro Telê Santana, que quando atuava no Fluminense usava a camisa sete e nunca foi ponta-direita e sim meia armador. Era com ele a forma de atuar do Fluminense.

Essa característica não existe mais. Quem hoje no futebol brasileiro joga parecido com Zenon? Parei, pensei muito e não encontrei. 

É para ser

O Avaí tem hoje no grupo de jogadores, o mais recente contratado, Jadson, um atleta que tem estas características. Muita habilidade e por onde passou sempre pensou bem o jogo. O tempo passa e hoje Jadson veio para contribuir, mas não sabemos se conseguirá dar ao Avaí o que deu aos clubes onde atuou anteriormente. 

E toda a lembrança do bom meia armador nesta coluna é porque sinto falta dele no time atual do Avaí, que já teve Rogério Ávila, Balduíno e o próprio Zenon. Não pelos atletas que hoje estão no time, mas pelos esquemas que não favorecem e o fato de que os jogadores precisam mais do que armar a equipe, têm que recompor quando o time está sendo atacado. Time reativo, dizem. 

Giro Total

> Centenário: O Figueirense está montando uma lista dos melhores jogadores que passaram pelo clube, de 2000 a 2021. E com muita honra fui convidado para escolher os que entendo que devam ser lembrados.

> Dois times: O clube pediu dois nomes para cada posição, numa formação no esquema 4-3-3, a partir de uma relação enviada pelo Alvinegro. Foi difícil formar as equipes. Muita gente boa ficou de fora.

> Que tal esse time? Wilson; César Prates, Marcio Goiano, Cleber e Filipe Luís; Rodrigo Souto, Marquinhos Paraná e Fernandes; Clayton, Edmundo e Roberto Firmino.

> Quem sabe esse? Gatito Fernandes; Paulo Sérgio, Chicão, Bruno Alves e André Santos; Túlio, Maicon e Sergio Manoel; Clayton Xavier, Aloísio e Aldrovani.

Leia também:

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Referência por resgatar a memória do Esporte catarinense, fatos do dia a dia e pitorescos, misturando bom humor e seriedade na dose certa.

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