A ampliação do uso de ferrovias em Santa Catarina, seja com novos ramais ou reutilização de linhas já existentes, continua uma incógnita, sem perspectiva a curto ou médio prazos. O Ministério dos Transportes quer leiloar a concessão da Malha Sul até o final de ano, em lotes, em modelo rejeitado pelo governo de Santa Catarina.

Continua depois da publicidade

Confira imagens

Já a elaboração dos dois projetos estaduais de novas ferrovias está em andamento, sem garantia ainda de conexão com a malha nacional, nem definição de modelo de concessão à iniciativa privada. A última ferrovia inaugurada no Estado foi o ramal entre Lages e Vacaria (RS), em 1969, em condição que será mantida ainda por prazo indeterminado.

Santa Catarina tem 1,2 mil km de ferrovias na Malha Sul, com somente 210 km em operação, na linha de Mafra com São Francisco do Sul. A rota é usada principalmente para exportação de soja pelo Porto de São Francisco do Sul. A outra ferrovia em uso no Estado é a Tereza Cristina, no Sul, com 163 km – a linha não faz parte da Malha Sul. No ano passado, os trens movimentaram 6,1 milhões de toneladas de cargas no Estado. Na matriz do transporte em Santa Catarina, o modal ferroviário não chega a 10%.

Pela proposta do Ministério dos Transportes, a Malha Sul será dividida em três lotes, com dois deles com traçado em Santa Catarina (confira mapas abaixo). O governo do Estado não concorda com o modelo de fatiamento porque teme desinteresse dos operadores em pelo menos um dos lotes, onde estão as ferrovias sem uso, atualmente.

Há cobrança também para que futuras ferrovias, como as conexões entre Araquari e Navegantes (62 km) e entre Chapecó e Correia Pinto (319 km), em fase de projetos, tenham direito de passagem na malha nacional: se as novas linhas ficarem isoladas, não vão atrair investidores, conforme avaliação da Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias. A ligação com a malha nacional é um dos desafios.

Continua depois da publicidade

O outro é bancar os investimentos, em escala bilionária. O governo do Estado pretende fazer aportes, mas terá de montar modelagem para atrair investidores privados. Os projetos das duas novas ferrovias estão em elaboração desde o final de 2022 e devem ser concluídos em 2026. No entanto, mesmo quando os projetos estiverem prontos, será longo o caminho para o início das obras, seja por temas envolvendo fonte de recursos ou conexão com a malha nacional.

Os mapas do futuros lotes da Malha Sul, com ferrovias em SC

Corredor Mercosul

Corredor SC-PR