Apesar ser incluída entre as 20 ligações prioritárias para a retomada do transporte de passageiros por trens, a ferrovia entre Mafra e São Francisco do Sul, com ramal até Curitiba, não ficou entre as seis linhas ferroviárias selecionadas para os estudos mais aprofundados. A concorrência com rodovias foi um dos motivos para a ferrovia não entrar na lista final.

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As conclusões fazem parte do Plano de Desenvolvimento do Transporte Ferroviário de Passageiros (PDTFP), do Ministério dos Transportes. O documento divulgado em 2023 é utilizado como diretriz para o setor. Os seis estudos em andamento para transporte ferroviário contemplam dois trechos na região Sul: entre Londrina e Maringá e entre Pelotas e Rio Grande.

No Norte do Estado, há mobilização para mudar a situação e incluir a região nas análises. Três associações de municípios, das regiões de Joinville, Jaraguá do Sul, São Bento do Sul, Mafra e Canoinhas, enviaram ofício para que a ferrovia entre Mafra e São Francisco do Sul seja considerada nos estudos para a volta dos trens de passageiros.

A estrada de ferro, a atual EF-485, ofereceu o serviço de forma regular entre 1906 e 1991. Nos 26 municípios de abrangência, há 1,6 milhão de moradores. A linha com a solicitação faz a ligação entre Mafra e São Francisco do Sul, com 170 quilômetros de extensão. A ferrovia cruza também os municípios de Araquari, Joinville, Guaramirim, Jaraguá do Sul, Corupá, Campo Alegre, São Bento do Sul e Rio Negrinho. O transporte foi realizado de forma regular até 1991, com as litorinas fazendo o percurso anos finais.

A ferrovia de 210 km entre Mafra e São Francisco do Sul é usada atualmente para transporte de grãos para o Porto de São Francisco do Sul, com uso ocasional de trechos para trens turísticos. A ferrovia é a única em operação da Malha Sul no Estado – a outra linha de trem em operação no Estado, a Tereza Cristina, no Sul, não faz parte da malha.

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A linha entre São Francisco do Sul e Mafra, incluindo o ramal até Curitiba (são 350 km), foi incluída entre as 20 prioritárias do Plano Ferroviário por atender a uma série de critérios, como ligação entre polos regionais, ter “janelas” de intervalos para a passagem dos trens de passageiros, entre outros.

O Plano apontou a viabilidade e de que a ferrovia deve entrar em estudos futuros (outros ramais prioritários também tiveram essa avaliação). Na justificativa para a linha São Francisco do Sul-Curitiba ter ficado com nota abaixo dos trechos selecionados, foi apontada a “forte concorrência” com o modo ferroviário, principalmente entre Joinville e Curitiba. Também foi alegado que diversas estações ao longo do percurso não são mais usadas para transporte, além do traçado sinuoso e com aclives, o que impacta a velocidade.