A paralisação das obras dos contornos ferroviários de Joinville e de São Francisco do Sul está completando 15 anos em junho sem estimativa de reinício, ainda que a retomada continue nos planos. As construções iniciadas em 2009 pararam para revisão dos projetos e tiveram os contratos rescindidos porque não havia margem para os acréscimos necessários. Os novos projetos de engenharia foram concluídos e, conforme o DNIT, os dois empreendimentos estão em estudo para inclusão no PAC.

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A estação ferroviária de Joinville

Nas duas cidades, o objetivo dos contornos é retirar a passagem dos trens de cargas do perímetro urbano. Os ramais serão novos traçados da EF-485, a linha entre Mafra e São Francisco do Sul usada para o transporte de grãos para exportação pelo Porto de São Francisco do Sul. É a única ferrovia da Malha Sul em operação no Estado,

As vantagens dos contornos são a eliminação de riscos de acidentes dos trens com outros veículos na área urbana, fim das filas quando as composições passam, maior velocidade dos trens e uso da ferrovia e faixa de domínio para outros modais, quando fora da rota dos trens de cargas.

No caso de Joinville, até o traçado pretendido para o contorno teve de mudar, devido ao avanço urbano de Araquari. A Variante Araquari precisou de novo licenciamento ambiental, com segmento de 4,3 km. Ao todo, o contorno tem 17 km, com custo estimado em mais de R$ 500 milhões. A atual ferrovia tem 9 km no perímetro urbano, com pelo menos 14 passagens de nível com grande movimentação de veículos.

O contorno de São Francisco do Sul chegou a ter edital lançado pelo DNIT em 2023, mas a concorrência foi cancelada. O ramal tem 9 km de extensão e deverá acompanhar, em parte, o novo traçado da BR-280 na cidade. A obra ferroviária ficou conhecida pelo viaduto inacabado sobre a SC-415, a “mesa de sinuca”, agora encaminhada para a demolição.

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Na busca de recursos, houve tentativas de incluir os dois contornos na antecipação da renovação da concessão da Malha Sul, com a concessionária bancando as obras entre as contrapartidas. Mas essa modalidade de prorrogação foi descartada e as ferrovias da Malha Sul terão novo leilão, com divisão em três lotes. A atual concessão se estende até fevereiro de 2027.

Há previsão de investimentos nos futuros contratos, mas os contornos não têm sido citados – as audiências públicas para apresentação da modelagem ainda não foram marcadas e há ceticismo que os certames possam ser realizados ainda em 2026, como prevê cronograma do Ministério dos Transportes. A prorrogação pontual do atual contrato, por dois anos, está em tratativas.