Trinta e cinco anos depois do encerramento de linhas regulares, não há nenhuma perspectiva para a retomada do transporte de passageiros por trens na região de Joinville. Ainda que estudos tenham apontado a viabilidade de determinadas ligações regionais, o uso da ferrovia para a movimentação de pessoas não está em discussão na nova concessão da Malha Sul, nem nas propostas de novas ferrovias.

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A volta do transporte de passageiros por ferrovia em Joinville é tema recorrente, ainda que sem consequências práticas. As operações com os trens foram encerradas nos anos 80 e, em janeiro de 1991, foram desativadas as últimas linhas das litorinas. Os veículos automotrizes faziam a linha Corupá-São Francisco do Sul, com paradas em Joinville e Jaraguá do Sul, por exemplo. A prioridade passou a ser o transporte de cargas.

Nos anos 2000, o tema ganhou certa relevância com a discussão sobre o futuro da linha de trem com a construção do contorno ferroviário de Joinville: com a obra, os trens de carga deixaram de cruzar a área urbana e a linha ficaria livre para o transporte de passageiros. O contorno até começou a ser construído, mas tudo parou em 2011 e não há estimativa de retomada das obras.

A retomada do uso das ferrovias para transporte coletivo será avaliada em plano de mobilidade regional a ser elaborado pela Amunesc. Mas a prioridade é projetar as conexões entre as cidades por meio dos ônibus, com BRT (vias exclusivas). O plano deve ser contratado ainda neste ano.

Em 2021, a prefeitura de Joinville perguntou ao Ministério dos Transportes sobre a possibilidade de linhas regionais de passageiros, em operação paralela ao transporte de cargas. A resposta foi que a questão poderia ser discutida na nova concessão da Malha Sul – o atual contrato se encerra em um ano, em fevereiro de 2027. No entanto, o tema está fora das tratativas sobre o novo contrato: o foco é a maior utilização das ferrovias para cargas, já que a maior parte dos ramais está sem uso.

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O transporte de passageiros também não está presente nas discussões sobre a ferrovia entre Araquari e Navegantes, em fase de projeto pelo governo do Estado desde 2022. Nesse caso, arrumar R$ 1,5 bilhão para as obras e garantir a conexão da linha com a malha nacional são as questões mais importantes. Nesse cenário, não há como prever quando a estação ferroviária de Joinville, a ser reaberta neste ano, poderá ter embarque e desembarque de passageiros, a atividade desempenhada durante oito décadas.