publicidade

Navegue por
Sérgio

Crônica

Quando os bichos falam

Compartilhe

Por Sérgio da Costa Ramos
17/01/2019 - 16h31 - Atualizada em: 17/01/2019 - 16h31
Cigarra
(Foto: )

No último Verão, pouco ouvi as cigarras.

E o chirrio de uma cigarra costumava ser o símbolo da estação estival. Era a cigarra “zangarrear” e o ilhéu vestir o seu “short”, dando o verão por inaugurado.

Um amigo atalha e pergunta, meio intrigado:

- Como é mesmo essa linguagem das cigarras? Afinal, elas chirriam ou zangarreiam?

No meu tempo de guri, as cigarras apenas cantavam. Era uma espécie de “assobio”, longo e  estridente, que anunciava as manhãs quentes e radiantes.

Já repararam que já não se ouve o canto das cigarras mimetizadas entre as árvores – e que elas parecem ter sido expulsas do Paraíso,  “banidas” pela selva de pedra?

Houve épocas, mais românticas, em que até os bichos falavam. Hoje, só quem fala é o homem, esse ser “não-resolvido” e dissimulado, bicho que herdou a peçonha da cobra.

°°°

O meu amigo parece mais interessado na “linguagem” dos bichos. E talvez pra “inticar”, pergunta:

- E a cobra, também tem uma linguagem?

- Claro. A cobra silva, assobia, chocalha, sibila.

- E a gralha?

- Bem, a gralha grasna, acho.

- E os bichos de pena?

- A linguagem das aves é múltipla e bem diversa. Elas podem apitar, assobiar, chilrear, corruchiar, dobrar, estribilhar, garrular, gorjear, pipilar, redobrar, ulular.

- E aquele ex-ministro e senador do Maranhão, o Lobão?

- O político ou o bicho? 

- Os dois.

-  Bem, os lobos uivam. Já o Lobão, bale, fingindo que é uma ovelha.

- E a raposa, essa turma que funda ONGs pra roubar o meu, o seu, o nosso?

- Bom, as raposas roncam. Ou regougam. E, claro, “afanam” na Comissão de Orçamento do Congresso.

- E o porco?

- Depende do porco. Se for um torcedor do Palmeiras, grita “Avante, Palestra”! Já se for o porco-bicho, então ele grunhe, ronca e cuincha. Com a possível exceção do porco catarinense, que no afã de ser exportado, fala russo.

- E qual é a língua do papagaio?

- Depende. Pode ser chalrar, grazinar, palrear, remedar. Mas se for aquele assaltante de bancos, é “fugir”. Aquele Papagaio só “foge”...                                   

°°°

- E qual seria a linguagem daqueles espertalhões que gostam de “emendar” o orçamento?

- Bem, essa categoria de bichos é de grande biodiversidade. Eles falseiam, fabulam, inventam, adulteram, deturpam, mentem, velhaqueiam,  dilapidam, delatam, atraiçoam, peculatam, exploram, prevaricam, subtraem.

E querem fazer crer que são “representantes do povo”...

FIM.

Leia outras crônicas

Deixe seu comentário:

Sérgio da Costa Ramos

Sérgio da Costa Ramos

Sérgio da Costa Ramos

Crônicas que traduzem os sentimentos do catarinense ao tratar da cultura e características de quem vive no Estado. Este espaço deixou de ser atualizado.

sergiodacostaramos@uol.com.br

publicidade

publicidade

Mais colunistas

publicidade

publicidade

Navegue por
© 2018 NSC Comunicação
Navegue por
© 2018 NSC Comunicação