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Crônica

Traduzir um extrato

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Por Sérgio da Costa Ramos
18/01/2019 - 04h00
extrato
(Foto: )

A maior parte dos correntistas têm dificuldade de entender os “enigmas” lançados nos seus extratos bancários.

O amigo leitor já experimentou ler e entender uma dessas “cartas enigmáticas?”

Trata-se de uma verdadeira “charada”. Mas não se apoquente, pois uma pesquisa realizada pelo Procon revela que nada menos que 66,58% dos correntistas brasileiros têm exatamente a mesma dúvida.

A informação que falta ao extrato bancário é informar, por exemplo, que, no Brasil, paga-se o juro de cheque especial mais caro do mundo.

Quem tem a infelicidade de amargar um “vermelho” nesse crédito proibitivo vai pagar sobre a dívida nada menos do que três dígitos... Ou seja: o Brasil “institucionalizou” a usura. Os bancos, que já provaram ser “inquebráveis” no plano internacional, no Brasil provam ser “indomáveis”. Cobram o quanto querem – e não será o governo, eterno credor, que colocará um freio na agiotagem oficial.

Inspirados talvez pela fome fiscal do Estado,   os bancos resolveram imitar o Leviatã - o gigante estatal -  e taxam os seus serviços de maneira abusiva. Quem não gostar, que guarde seu dinheiro debaixo do colchão.

O leitor já tentou entender o seu último extrato?

Há uma série de “rubricas” e de “lançamentos” que desafiam a lógica do mais paciente dos correntistas. Uma verdadeira “cordilheira” de rubricas e códigos pouco compreensíveis.

Onde deveria haver apenas uma coluna numeral de créditos e débitos, há uma imensa algaravia de assentamentos: “Recursos disponíveis”, “Contribuição a debitar”, Tarifa Extrato”, “Saldo Total POC”, Saldo Total Conta Corrente”, “Tarifa – Manutenção da Conta”, mais taxas de renovação de cadastro, anuidades do cartão de crédito do banco, débitos de seguros não-solicitados, limites extra saldo contábil e uma coleção de siglas cabalísticas, que o proprietário da conta simplesmente “não entende”.

Há bancos que cobram ainda pela “manutenção da conta ativa” – numa variação, entre um e outro, de abismais 120%. Para manter sua conta “ativa” os bancos cobram para que um  correntista freqüente o seu guichê...

Numa concorrência saudável, as empresas brigam entre si para conquistar cada vez mais clientes. Como é que um banco pode “cobrar” pelo fato de um “freguês” continuar sendo seu “freguês”?

°°°

É como cobrar beijo de namorada.

É só isso que está faltando. O seu banco cobrar pelos seus sentimentos e pela sua respiração.

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