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A disputa pelo bolsonarismo e os movimentos de Jorginho

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Por Upiara Boschi
30/11/2019 - 18h39
Senador Jorginho Mello estrutura PL de olho em 2022. Foto: Maurícío Locks
Senador Jorginho Mello estrutura PL de olho em 2022. Foto: Maurícío Locks

Haverá uma disputa interessante nas eleições municipais do ano que vem, especialmente se o novo partido do presidente Jair Bolsonaro, o Aliança, não sair do papel a tempo de disputá-las formalmente. Grupos e candidatos devem disputar junto ao eleitorado a condição de bolsonaristas oficiais da cidade.

Em Santa Catarina, onde o PSL fica sob comando do governador Carlos Moisés e do deputado federal Fábio Schiochet - presidente de honra e presidente do diretório estadual, respectivamente - essa questão ficará evidente em diversas cidades. O PSL desbolsonarizado lançara candidatos com o mesmo 17 que o imaginário popular ainda haverá de associar a Bolsonaro, enquanto os postulantes ligados aos dissidentes estarão abrigados em outras legendas lutando para que a associação ao presidente a ou a seus filhos seja vista e reconhecida pelo eleitor.

Um caso emblemático tende a ser Blumenau. Lá, o deputado estadual Ricardo Alba (PSL) ostentou até mês passado a condição de bolsonarista oficial da cidade. Trabalhou por isso antes mesmo de se eleger vereador em 2016, quando poucos ainda acreditavam que Bolsonaro teria chances reais de tornar-se inquilino do Palácio do Planalto. No entanto, no racha pesselista, a proximidade de Alba com Moisés o afastou dos dissidentes - que tem reservas quanto a sua adesão ao Aliança e deve lançar um nome para ocupar esse espaço em 2020.

Assim, em Blumenau e outras cidades catarinenses talvez seja necessário chamar o apresentador Ratinho para aplicar testes de DNA a aferir o bolsonarismo legítimo em disputa. O racha tende a ajudar os candidatos dos partidos tradicionais.

Em meio a esse cenário confuso, é bom observar com atenção os movimentos do senador Jorginho Mello (PL). Em 2018, ele conseguiu colar à onda que elegeu Bolsonaro, Moisés e os parlamentares do PSL. Beneficiou-se da estratégia do PSL de lançar apenas um candidato a senador, Lucas Esmeraldino, a quem venceu por um punhado de votos.

Eleito, Jorginho aproximou-se do governo federal, dos filhos parlamentares de Bolsonaro - o senador Flávio e o deputado federal Eduardo. Antes mesmo dos parlamentares bolsonaristas catarinenses entrarem em colisão com Moisés, ele já oferecia seu PL a grupos ligados à Onda 17 que não conseguiam espaço para construir projetos locais.

Em Criciúma, no início do mês, foi saudado por Eduardo Bolsonaro como um aliado de primeira hora e alguém que poderia ser apoiado pelo clã no futuro. É para isso que Jorginho trabalha e, por enquanto, vai caindo em seu colo a condição de candidato bolsonarista a governador em 2022. É por isso que chegaram a surgir rumores de que ele poderia assumir o Aliança em Santa Catarina - rumores que eu mesmo vi Jorginho rebater de forma exaltada no saguão da Assembleia Legislativa na última terça-feira. O senador sabe o trabalho que deu fazer do PL, ex-PR, um partido de verdade em Santa Catarina.

O próximo movimento é consolidar o partido nas eleições municipais. A expectativa do senador é oficializar no início da semana a filiação do vereador Pedrão Silvestre (PP), o mais votado da história de SC, e lançá-lo à prefeitura de Florianópolis. Marca posição para cima do ex-aliado Gean Loureiro (sem partido), atual prefeito, e mexe com o cenário da Capital.

Publicado nas edições de DC Revista, AN Revista e Santa Revista de 30/11/2019

Leia a coluna da semana passada:

Como e por que Gelson Merisio foi parar no PSDB

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Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

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