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Como e por que Gelson Merisio foi parar no PSDB

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Por Upiara Boschi
24/11/2019 - 16h30 - Atualizada em: 24/11/2019 - 16h36
Merisio optou pelo PSDB de olho no projeto nacional de João Dória e nos espaços abertos no ninho tucano em SC; Foto: Luís Debiasi, Divulgação
Merisio optou pelo PSDB de olho no projeto nacional de João Dória e nos espaços abertos no ninho tucano em SC; Foto: Luís Debiasi, Divulgação

Se alguém conseguisse voltar no tempo até aquelas acaloradas discussões sobre a formação das coligações que apoiariam os candidatos a governador ano passado, seria tratado como maluco se dissesse que um ano e meio depois Gelson Merisio acabaria trocando o PSD pelo PSDB. Essa migração é fruto de uma complexa articulação realizada nas últimas semanas e faz parte do realinhamento das forças políticas do Estado.

Muito do estranhamento com a nova morada partidária de Merisio vem da própria postura do ex-pessedista em relação ao partido na época em que construía sua candidatura ao governador. Presidente da Assembleia Legislativa e comandante do PSD-SC, ele via com desconfiança as chances eleitorais das candidaturas do então senador Paulo Bauer ao governo e de Geraldo Alckmin à presidência. Ambos teriam um perfil político distante do que buscava o eleitor naquele momento, o que fez o ex-deputado trabalhar para que não houvesse aliança entre PSD e PSDB - e, no último momento, que se houvesse, fosse com Bauer fora da majoritária.

Claro que em se tratando de Gelson Merisio essa argumentação não se deu com essas palavras elegantes que escolhi aqui. Ofendidos, os tucanos apostaram em Mauro Mariani (MDB), indicando o ex-prefeito blumenauense Napoleão Bernardes como vice e alojando Bauer em uma das vagas para o Senado na chapa. No fim, todas as apostas e análises foram atropeladas pela nacionalização da eleição, com o desconhecido Carlos Moisés (PSL) surfando a onda Jair Bolsonaro.

Foi o olhar à política nacional que aproximou Merisio dos tucanos, foi o esvaziamento do ninho após o revés eleitoral que fez o PSDB estadual aceitar o flerte. A saída de Napoleão para o PSD e a morte do ex-deputado federal Marco Tebaldi deixaram o PSDB sem nome natural para o governo estadual em 2022 e enfraqueceu a base em Joinville, onde Merisio quer agora se estabelecer. O ex-pessedista preenche esses postos - ainda que pague o pedágio de apoiar Bauer como candidato a prefeito ano que vem. Se ajudar esse projeto a virar realidade em Joinville, será uma espécie de batismo tucano e joinvilense, inclusive.

Derrotado por um projeto nacional em 2018, Merisio busca na pretensão presidencial de João Dória um alicerce para uma nova tentativa de governar o Estado. Entra logo no ônibus para poder pleitear sentar na janela. Falta muito para 2022, o tucano paulista também tem uma longa tarefa para se consolidar como candidato presidencial. Mas no cenário polarizado que o Brasil vive e que atinge fortemente Santa Catarina, restaram poucas opções a Merisio e ao PSDB além deste constrangido abraço.

Publicado nas edições de DC Revista, AN Revista e Santa Revista de 23/11/2019

Leia a coluna da semana passada:

Lula, Bolsonaro e Carlos Moisés livres

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Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

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