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Política

A era das megacoligações

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Por Upiara Boschi
14/02/2018 - 07h47 - Atualizada em: 14/02/2018 - 07h48

Mais Santa Catarina, Todos por toda Santa Catarina, As Pessoas em Primeiro Lugar. Nos últimos 20 anos, a política catarinense se acostumou a esses slogans que representavam enormes coligações partidárias que acabaram elegendo Esperidião Amin, Luiz Henrique da Silveira e Raimundo Colombo.

Esse modelo de megacoligações garantiu vitórias sem susto nas três eleições em que foi colocado em pé. Em 1998, Amin pilotou a frente com PPB (atual PP), PFL (hoje metamorfoseado em PSD) e um ainda emergente PSDB. Em 2006, Luiz Henrique trouxe para sua órbita tucanos e pefelistas. A tropa se manteve unida em torno de Colombo em 2010.

Mais do que o número de legendas penduradas, o que importa na megacoligação é juntar três dos cinco maiores partidos do Estado. Mesmo nas eleições em que o modelo não se repetiu (2002 e 2014), ele foi almejado por garantir um exército estadualizado de apoiadores, tempo de televisão que desequilibra a disputa e maioria parlamentar depois da eleição. Ao mesmo tempo, engessa os governos e internaliza na máquina disputas de poder entre díspares.

Esse modelo está em xeque este ano. Há quem acredite que no atual cenário de desmoralização da política, uma penca de partidos pode afastar o eleitor. Além disso, o fim do ciclo Luiz Henrique/Colombo deixou o Estado sem nomes naturais para liderar o comboio.

Desde que o prefeito joinvilense Udo Döhler perdeu a hora da ultrapassagem e voltou para o terceiro, talvez quarto lugar na fila dos pré-candidatos do PMDB, as atenções de quem quer reconstruir uma megacoligação estão voltadas para o senador Paulo Bauer (PSDB). O tucano ex-pefelista poderia reunir o PSD de Colombo e somar PP de Amin ou o PMDB de Mauro Mariani. As conversas acontecem.

Curiosamente, o maior obstáculo é o ninho tucano - que Bauer nunca conseguiu controlar. Presidente do partido, o deputado estadual Marcos Vieira está entre aqueles que não acreditam mais nas megacoligações. Inflamou a base do partido com a ideia de que o PSDB deve ter candidato a governador e a senador, citando-se, inclusive, para ambas as vagas. Incentivou o prefeito blumenauense Napoleão Bernardes a renunciar em abril para também ocupar vaga majoritária. Parece um caminho sem volta.

Bauer - vice de Amin, secretário de LHS, senador na chapa de Colombo - é fruto dessa política de ampla composição. Aceitaria ser candidato em um projeto mais enxuto? Em março, os tucanos devem oficializar seu candidato a governador. Eles pararam de brigar em público, mas ainda têm um jogo de bastidores divertido de observar.

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