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A sorte e o juízo livram Moisés do impeachment

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Por Upiara Boschi
27/11/2020 - 14h12 - Atualizada em: 27/11/2020 - 18h24
Assembleia Legislativa abrigou o Tribunal do Impeachment que absolveu Carlos Moisés
Assembleia Legislativa abrigou o Tribunal do Impeachment que absolveu Carlos Moisés (Foto: Bruno Collaço, Agência AL/Divulgação)

Carlos Moisés da Silva é um homem de sorte. Seu retorno ao cargo de governador como desfecho do processo de impeachment que analisou irregularidade no aumento salarial dos procuradores do Estado começou a se tornar realidade no mesmo momento em que ele foi afastado do cargo em 24 de outubro. A Assembleia Legislativa armou-se da convicção de que Moisés e a vice-governadora Daniela Reinehr deveriam ser afastados do cargo para que o parlamento assumisse o comando do Estado, através de seu presidente Júlio Garcia (PSD).

Fora do acordo, o deputado estadual Sargento Lima (PSL) decidiu poupar Daniela, o que impediu a implantação do parlamentarismo informal em Santa Catarina. Moisés foi afastado, Daniela ganhou tempo para tentar provar à política e à sociedade que poderia ser a governadora do Estado. O problema para Daniela - e a sorte de Moisés - é que esse plano B nunca existiu no parlamento. Por mais que Daniela buscasse alguma aproximação e tivesse apoios em algumas lideranças, na Assembleia era nítido que Moisés ganharia uma segunda chance.

Os pouco mais de 30 dias de Daniela no cargo também não criaram maiores expectativas sobre suas aptidões. Moisés, por sua vez, ganhou a chance de fazer política. Buscou partidos e lideranças, reforçou os contatos com o parlamento, dialogou com Júlio Garcia - aquele que era considerado o antagonista, o inimigo. A postura de Moisés permitiu o desfecho que parecia improvável meses atrás. O impeachment acabou rejeitado por 6 votos a 3, com uma abstenção. Entre os desembargadores, 4 a 1 para o governador. Entre os parlamentares, 2 a 2, com uma abstenção.

Três registros são muito importantes neste momento. O Judiciário mostrou protagonismo ao não aceitar o prato feito do Legislativo. O parlamento soube adaptar-se ao novo cenário e construir a solução menos conflituosa para o Estado. Agora, cabe ao governador eleito pelos catarinenses retomar efetivamente o comando do Estado - à deriva há mais tempo do que os 32 dias em que ficou afastado.

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Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

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