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    Em Chapecó, Paraná Pesquisas mostra um velho favorito e um candidato a surpresa

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    Por Upiara Boschi
    20/10/2020 - 01h10
    João Rodrigues lidera com vantagem, mas tem um adversário fora da tradicional polarização com a esquerda
    João Rodrigues lidera com vantagem, mas tem um adversário fora da tradicional polarização com a esquerda (Foto: Divulgação)

    Prefeito por dois mandatos nos anos 2000, o ex-deputado federal João Rodrigues (PSD) é o favorito nas eleições de Chapecó, mas o vereador Cleiton Fossá (MDB) apresenta-se como candidato a quebrar uma polarização política que já dura quase duas décadas. Essa é a principal leitura que pode ser feita no levantamento do Instituto Paraná de Pesquisas, divulgado nesta terça-feira pela NSC Comunicação.

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    João Rodrigues lidera a pesquisa estimulada - aquela em que são apresentados os nomes dos candidatos - com 38,9% das intenções de voto. O emedebista Cleiton Fossá aparece em segundo lugar, com 19,7%. Em terceiro lugar há um empate técnico entre o ex-deputado federal Cláudio Vignatti (PSB), que alcançou 11,1%, e Leonardo Granzotto (Patriota), com 5,9%. A margem de erro da pesquisa é de quatro pontos percentuais.

    Veja os números do Paraná Pesquisas para a eleição de Chapecó

    O cenário apresentado pelo Paraná Pesquisas desenha uma disputa diferente das últimas quatro eleições, quando a eleição chapecoense foi polarizada entre uma aliança liderada ou apoiada por João Rodrigues e um nome do PT representando a esquerda. Esse papel, este ano, cabe a Vignatti, ex-petista recentemente filiado ao PSB, mas com apoio da antiga legenda. A dupla Rodrigues e Vignatti, curiosamente, se enfrentou nas eleições de 2004, na primeira vitória do atual pessedista.

    Upiara: João Rodrigues e Vignatti polarizam espaço no horário eleitoral

    No entanto, a frente de esquerda, nestes primeiros movimentos da campanha eleitoral, ainda não mostrou força para repetir a velha disputa. Em parte, isso pode ser explicado pelos números de rejeição, também pesquisados pelo instituto. Vignatti lidera com 48,7%, seguido por Rodrigues, que tem 30,3%. Nesse quesito, Fossá tem 14,8% e Granzotto apresenta 13,4%.

    Além da resistência de Rodrigues - que não conseguiu renovar o mandato de deputado federal 2018 por ter sido enquadrado na Lei Ficha Limpa e chegou a ser preso por uma antiga condenação, já prescrita, no início daquele ano - e da dificuldade de Vignatti de emplacar o tradicional espaço da esquerda, os números do Paraná Pesquisas também dão alento a possíveis alternativas à velha polarização.

    Neste primeiro momento, o segundo lugar de Cleiton Fossá parece consolidado não só pela pesquisa estimulada, mas também pelos 8% dados espontaneamente ao emedebista - Rodrigues lidera com 23,3%. Quando não são apresentados os nomes aos eleitores pesquisados, o número de indecisos em Chapecó chega a 51,3%.

    Por sua vez, a expectativa de Leonardo Granzotto atende pela popularidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do prefeito Luciano Buligon (PSL). Ambos têm suas gestões avaliadas como ótima ou boa por 52,5% dos chapecoenses. Granzotto conta com apoio da deputada federal bolsonarista Caroline de Toni (PSL) e de Buligon - que chegou a entrar em colisão com o governador Carlos Moisés (PSL) por causa da intervenção de última hora no PSL para que não houvesse apoio ao candidato do Patriota. Moisés, por sinal, não é bom cabo eleitoral na cidade: 47,7% dos eleitores pesquisados consideram sua gestão ruim ou péssima.

    Buligon foi eleito em 2016 pelo PSB, a bordo de uma ampla coligação que contava com apoio do PSD de Rodrigues e do então deputado estadual Gelson Merisio, hoje no PSDB. No cargo, o prefeito migrou para o DEM e depois para o PSL, sempre buscando criar uma terceira via para a polarização histórica. Sem conseguir convencer Caroline de Toni a encarar a empreitada, aderiu à candidatura de Granzotto. O grupo político que venceu as últimas quatro eleições chapecoenses também perdeu Merisio, que apoia a candidatura do vereador Márcio Sander (PSDB), que apareceu com 2% na pesquisa estimulada.

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