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Entrevista

Gean Loureiro: “Tinha cinco crimes, MPF arquivou quatro. Melhor que isso, só se arquivasse tudo”

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Upiara
Por Upiara Boschi
07/02/2020 - 16h50 - Atualizada em: 08/02/2020 - 08h31
Prefeito Gean Loureiro viu com otimismo a denúncia do MPF por organização criminosa: "Para mim, a decisão do MPF foi show. Melhor que essa só se arquivasse tudo". Foto: Tiago Ghizoni
Prefeito Gean Loureiro viu com otimismo a denúncia do MPF por organização criminosa: "Para mim, a decisão do MPF foi show. Melhor que essa só se arquivasse tudo". Foto: Tiago Ghizoni

Denunciado pelo Ministério Público Federal como integrante de uma suposta organização articulada para vazar informações sigilosas sobre operações da Polícia Federal e do Gaeco, o prefeito Gean Loureiro (DEM) mostra otimismo em relação à continuidade do processo. Em conversa por telefone, logo após a confirmação da denúncia, ele avaliou que a decisão do MPF de arquivar quatro dos cinco indiciamentos feitos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Chabu são uma vitória. Gean nega qualquer envolvimento com o grupo dos denunciados e com vazamentos de informações.

Leia a entrevista:

Como avalia a decisão do MPF de fazer a denúncia sobre a Operação Chabu?

Para mim, a decisão do MPF foi show. Melhor que essa só se arquivasse tudo. Eram todas situações que não tipificavam crime, pela característica. Geralmente o Ministério Público denuncia tudo.

Tinha cinco crimes, ele arquivou quatro. Manteve uma que tem muita fragilidade, porque é muito subjetivo: uma organização criminosa que talvez recebesse informações sigilosas. Supostamente, porque não há prova.

Bom, informação sigilosa você recebeu hoje do processo. Vamos ser francos, eu não tive acesso ainda, estou recebendo pela imprensa.

Acredita que a denúncia pode ser rejeitada no TRF-4?

O indiciamento (pela PF, em dezembro do ano passado) para mim já foi uma vitória, porque todo mundo dizia que ia vir um fato novo e não houve fato novo nenhum. Foi repetição dos fatos da operação. Agora chega no MPF e ele elimina quatro crimes meus, dos cinco. Manteve um só, um suposta situação de relacionamento com outros para vazamento de informação. Eu nunca fui citado em nenhuma operação que vazou. Não tem relação comigo, nem conheço as pessoas.

O senhor nunca recebeu informações sigilosas de operações policiais em andamento por parte dessas pessoas, prefeito?

Eu nunca recebi, porque eu não tenho envolvimento. Se eventualmente tivesse, talvez eles até tivessem me falado. Agora, o que adianta me falar de uma operação, sei lá, em Xanxerê. Da Operação Fundo do Poço. Estou aqui imaginando aqui alguns nomes de operação.

As evidências são muito fortes de que havia um grupo organizado para vazar informações sobre investigações. Qual o seu envolvimento com essas pessoas, especialmente com José Augusto Alves, apontado como elo entre os núcleos político, empresarial e policial da suposta organização criminosa?

O José Augusto era um apoiador da campanha. Sempre deixei claro isso. Até chamava ele de “zé mentirinha”, porque contava muita história. Ele sempre participava da campanha, levava carro de som. Ele sempre foi um cara ligado ao MDB (antigo partido de Gean).

Ele participou das minhas eleições de prefeito, mas nunca trouxe para mim qualquer informação de operação porque eu provavelmente não tinha nenhum envolvimento nessas operações que aconteceram. Qual a vantagem eu teria por saber dessas operações?

Do meu ponto de vista, começa a se extinguir qualquer relação minha com a Chabu. A própria PF não apresentou nenhum fato além das narrativas de quando solicitou a operação. Não achou nenhuma prova, não achou sala secreta. O que falam? Pedi para manter no cargo uma moça lá gerência na (Secretaria Estadual da) Assistência Social. Não pedi um cargo, pedi 200.

Mas o que motivou o senhor a pedir que essa pessoa, mulher de outro denunciado, o policial rodoviário Marcelo Winter, permanecesse no cargo no Estado?

O que motivou foi o José Augusto pedir para mim. Mas se fosse algo que eu quisesse mesmo resolver, eu iria direto no (então governador) Eduardo (Pinho Moreira, do MDB). Ou nomeava na prefeitura, se fosse vantagem para mim. Nunca vi essa pessoa na minha vida, nem sei quem é.

Mas o senhor disse para a então secretária Romanna Remor que a permanência dela no cargo era importante.

Eu queria falar que ela era casada com um cara da Polícia Rodoviária (Federal). Não sabia como ele era, nunca vi na minha vida. Se passar na minha frente, não sei quem é.

Tem convicção de que a Justiça rejeita a denúncia, então?

Provável, né? Antes aparecia meu envolvimento com uma grande quantidade de crimes. Agora foram eliminados 80% deles. No que se cobrou, não se consegue firmar um ato com a tipicidade do crime.

O MPF me incluiu na organização criminosa, eu imagino, porque se me tira cai tudo. Não tem como manter a organização criminosa sem os três núcleos.

Para mim, o procurador foi muito claro na denúncia: foi um arquivamento parcial da denúncia.

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Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

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