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Ressaca eleitoral

Inédito terceiro lugar coloca MDB de SC no divã

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Por Upiara Boschi
08/10/2018 - 19h32 - Atualizada em: 08/10/2018 - 19h34
Mauro Mariani durante a apuração dos votos. Foto: Marco Favero
Mauro Mariani durante a apuração dos votos. Foto: Marco Favero

O dia seguinte à avalanche causada pelo desempenho dos candidatos do PSL do presidenciável Jair Bolsonaro na eleição catarinense foi marcado por tentativas de avaliar a dimensão das mudanças e a contagem de mortos e feridos. Uma constatação foi quase unânime: maior partido do Estado, o MDB foi o maior afetado.

Os emedebistas já venceram e perderam disputas para governador de Santa Catarina, mas nunca haviam chegado em terceiro lugar - como aconteceu no domingo com Mauro Mariani. A votações do PSL estão sendo encaradas como fenômeno da natureza, incomparável, mas os resultados mostram que o MDB estava menos preparado para enfrentar a guinada dos catarinenses por renovação de viés conservador.

A força do MDB nos pequenos e médios municípios diminuiu os estragos - especialmente na Assembleia Legislativa, onde a legenda conseguiu manter suas nove cadeiras. Nos maiores municípios, no entanto, a performance beirou o desastre. Mariani não venceu em nenhuma das 10 cidades mais populosas. Pelo contrário, ficou em terceiro lugar em nove dela e amargou um incrível quarto lugar em Chapecó - atrás de Gelson Merisio (PSD), Comandante Moisés (PSL) e até de Décio Lima (PT).

Curioso é que as eleições municipais de 2016 havia dado a impressão de que o MDB revertera as dificuldades nas maiores cidades, com a conquista de Florianópolis e Itajaí. Os prefeitos Gean Loureiro e Volnei Morastoni, no entanto, não deram conta da avalanche - e não conseguiram também levar à vitória seus candidatos legislativos. Base eleitoral de Mariani, terra de Luiz Henrique da Silveira, administrada por Udo Döhler, Joinville também rejeitou o candidato emedebista.

No partido há questionamentos sobre a performance pessoal do candidato. Leva-se em conta a reeleição dos deputados estaduais, as três cadeiras na Câmara e a vitória do aliado Jorginho Mello (PR) para o Senado. Nos bastidores, Mariani é acusado de ter ignorado partidários e se fechado em um pequeno grupo de apoiadores. As mudanças na propaganda durante a campanha veio apenas após uma forte reação de lideranças - prefeitos, vices, vereadores, presidentes de partidos - orquestrada pelo governador Eduardo Pinho Moreira.

Do outro lado da margem, Merisio tinha um projeto mais consistente e conseguiu maior coesão na chapa majoritária e de candidatos a deputado. Quando percebeu o tamanho da avalanche Bolsonaro, antecipou o anúncio de apoio ao presidenciável do PSL. Preparou-se para enfrentar o problema em vez de ignorá-lo.

Nesta terça-feira, o MDB se reúne para discutir o que aconteceu e o que pode ser feito. O ex-senador Casildo Maldaner mandou mensagem aos correligionários lembrando 1998, quando Paulo Afonso (PMDB) perdeu em primeiro turno para Esperidião Amin, e dizendo que é hora de entender a derrota e reorganizar o partido para as próximas eleições municipais. Olhando o cenário todo, a impressão que dá é que o emedebista que saiu mais ileso foi o senador Dário Berger - ainda com quatro anos de mandato em Brasília. É um torno dele que o partido deve se reorganizar.

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Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

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